Última hora

Última hora

Ucrânia: Ditadura plural vai a votos

Em leitura:

Ucrânia: Ditadura plural vai a votos

Tamanho do texto Aa Aa

“O ditador de um país plural”. É assim que o The Economist se refere ao presidente Victor Ianukovich e às eleições legislativas de domingo na Ucrânia.

O ex-pugilista Vitaly Klitshko é o que mais luta dá ao poder, com a sua Aliança Democrática a surgir em segundo lugar nas sondagens, mas o combate está viciado à partida.

A nova lei eleitoral, aprovada com o apoio de uma oposição desnorteada, dá clara vantagem ao partido da Regiões, no poder.

A figura da oposição, Yulia Timoshenko está presa há 15 meses – tal como o seu aliado Yuriy Lutsenko – e é já apelidada pelo The Guardian de “Aung San Suu Kyi da Europa”.

O combate à corrupção está no topo das promessas eleitorais de todos os partidos e a transparência é uma quimera do governo.

Os 3700 observadores internacionais registados já começaram a denunciar problemas, algo inaceitável para o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia.

Com pompa e circunstância foi revelada a rede de webcams instalada em mais de 32 mil mesas de voto. Uma rede que, segundo a comissão eleitoral, “garantirá a transparência” das legislativas, mas que os delatores denunciam como mais uma forma de pressão para quem vota.

Da revolução laranja resta hoje um sabor amargo a esperanças frustradas para os 46 milhões de ucranianos.