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Viktor Ianukovitch agarra o poder nas legislativas ucranianas

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Viktor Ianukovitch agarra o poder nas legislativas ucranianas

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A Ucrânia vai manter-se no mesmo rumo. O Partido das Regiões, do atual presidente Viktor Ianukovitch, lidera todas as sondagens à boca das urnas, nas eleições legislativas deste domingo.
 
Neste momento, os resultados preliminares atribuem entre 28 a 30 por cento das votações ao Partido das Regiões; perto dos 24 por cento estará o bloco da oposição, o Pátria, que emergiu do movimento de Iulia Timochenko; o Udar, de Vitaly Klitchko, rondará os 15 por cento; seguem-se os nacionalistas do Svoboda e o Partido Comunista. ambos em torno dos 12 por cento. 
 
O primeiro-ministro em funções desde 2010, Mykola Azarov, já assumiu a vitória do Partido das Regiões, num escrutínio seguido de muito perto pelos países a Ocidente. O receio de resvalamento democrático no país dirigido por Ianukovitch tem ensombrado as relações externas da Ucrânia, nomeadamente com a União Europeia, já degradadas pelo encarceramento de Iulia Timochenko.
 
Segundo Azarov, “as sondagens à boca das urnas são bastante explícitas. É claro que ainda não são resultados definitivos. Poderá haver correções, mas é evidente que o Partido das Regiões ganhou. É óbvio para todos. E para quem não é, as modificações serão muito ténues. Alguns queriam que tivéssemos perdido, mas ganhámos.”
 
A aliança da oposição Pátria, da grande rival política de Ianukovitch, Timochenko, alcançou então a segunda posição. Devido à polémica prisão da principal figura da oposição, Arseni Iatseniuk, antigo ministro da Economia e dos Negócios Estrangeiros, assumiu as rédeas do movimento contra o atual poder. Vários partidos engrossaram esta aliança, o que não terá sido suficiente para abalar a estrutura política vigente. Aparentemente, Iulia Timochenko exerceu o direito de voto na clínica onde se encontra internada devido a uma hérnia discal. A antiga primeira-ministra foi condenada a 7 anos de prisão, acusada de abuso de poder e de prejudicar a Ucrânia nos negociações com a Rússia sobre o abastecimento de gás.
 
Vitaly Klitschko, o famoso campeão mundial de pugilismo parcialmente convertido à política, terá arrecadado o terceiro lugar com o seu partido Udar, palavra que significa literalmente “murro”. Durante a campanha, o discurso de Klitschko sublinhou a vantagem de não ter os vícios de quem há muito ocupa cargos políticos, posicionando-se fortemente contra a corrupção e o clientelismo, dois temas que lhe angariaram muitos seguidores.
 
O parlamento ucraniano, o Rada, tem 450 lugares. Para alcançar a elegibilidade, um partido tem de ultrapassar a fasquia dos 5 por cento nos votos. Neste escrutínio, 50 por cento dos deputados são eleitos através das listas partidárias; a outra metade é escolhida por círculos uninominais, o que gerou inúmeras críticas, com relatos de subornos, entre carregamentos de telemóvel a cabazes, a nível local, a multiplicarem-se.
 
Há cerca de 4 mil observadores internacionais a acompanhar este escrutínio. Há equipas de monitorização da OCDE, da Polónia, da Alemanha, ou seja, é mais do que manifesta a inquietação em torno deste ato eleitoral e do que ele pode acarretar. Recorde-se que foram as acusações de fraudes eleitorais que provocaram a chamada Revolução Laranja, no final de 2004. Ianukovitch venceu a primeira votação, mas os protestos massivos, sobretudo em Kiev, denunciando a manipulação dos resultados, levaram à realização de uma segunda volta que deu, finalmente, a vitória a Viktor Iuchenko.