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Casillas & Xavi: Rivais, amigos e campeões

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Casillas & Xavi: Rivais, amigos e campeões

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Rivais, mas também grandes amigos. Iker Casillas e Xavi Hernández, símbolos do Real Madrid, do Barcelona e ícones da seleção espanhola, viram reconhecidas as respetivas carreiras, mas também o espírito de amizade com o Prémio Príncipe das Astúrias para o Desporto. Juntos, partilharam alguns minutos para conversar sobre uma relação à prova de bala.

euronews:
Colocaram temporariamente de lado a rotina, os jogos da seleção espanhola, do Real Madrid, do Barcelona para receberem um prémio que reconhece não só as vossas carreiras desportivas, mas também as vossas personalidades.

Xavi Hernández:
“Sim. Estou muito feliz pelo que este prémio representa pelo prestígio que tem e por recebê-lo com um amigo. É uma amizade que nos une há muitos anos, mesmo antes de sermos profissionais. É um grande orgulho. É um dia muito feliz, para desfrutar e para passar um bom momento com o Iker”.

euronews:
Iker é complicado manter essa amizade durante todos estes anos no meio de uma grande tempestade mediática, de tanta guerra entre Real Madrid e Barcelona?

Iker Casillas:
“Acho que não. Como disse o Xavi, já nos conhecemos há muitos anos. Há praticamente 15 anos. Conhecemo-nos quando éramos miúdos. Fomos crescendo pouco a pouco. Tivemos experiências paralelas e atingimos um nível profissional com carreiras idênticas em todos os sentidos. E agora o que podemos fazer é tentar agradar aos nossos clubes, em particular, ao Barcelona e ao Real Madrid e também aos espanhóis que estão na seleção”.

euronews:
Que parte do mérito do prémio pertence à seleção espanhola, ao Barcelona e ao Real Madrid?

Xavi Hernández:
“O mérito é de todos. É indissociável. O Barcelona criou-me. O Real Madrid criou o Iker. Os nossos pais também, como é lógico. As nossas famílias e a seleção espanhola também. Por isso é um reconhecimento para esta geração de futebolistas espanhóis. Tivemos a sorte de ganhar um Euro, um Mundial e outro Euro e apesar de o recebermos nós, este prémio pertence a muitas mais pessoas”.

Iker Casillas:
“Ganhar tantas coisas pela seleção espanhola é um extra. Obviamente que conseguir ganhar títulos com o Real Madrid e o Xavi com o Barcelona e também ganhar títulos com a seleção espanhola que orgulharam todo o país, todos esses triunfos são um conjunto de coisas que nos dão prestígio. E este prémio é motivo de orgulho para cada um de nós”.

euronews:
Xavi acha que o Prémio tem uma conotação política por serem jogadores do Real Madrid e do Barcelona?

Xavi Hernández:
“Não, eu não o vejo assim. Estamos a falar de desporto e premiaram-nos por uma relação de muitos anos, pela amizade, independentemente da nossa rivalidade futebolística. E é só isso. A nossa carreira também é importante: ganhámos muitas coisas pela seleção e nos nossos clubes respetivos. E a partir daqui não vejo qualquer assunto político. É apenas desportivo”.

euronews:
Ambos falam dos títulos da seleção espanhola. O mundo inteiro admira Espanha. Os jogadores espanhóis são muito mais valiosos do que há uns anos. Estamos perante a época áurea do futebol espanhol?

Iker Casillas:
“Não tenho dúvidas nenhumas. Vai ser difícil ver outra vez a seleção espanhola conquistar tantos títulos. Oxalá possamos vê-lo, mas ganhar um Euro, um Mundial e novamente o Euro é algo que está ao alcance de muito poucos e neste caso foi a seleção espanhola. O selecionador e os jogadores juntaram-se num dado momento e essa mistura resultou em títulos muito importantes”.

euronews:
Não sei se têm sítios especiais para colocarem prémios deste tipo, mas já ganharam tudo o que há para ganhar. O que é que vos motiva? A Bola de Ouro?

Xavi Hernández:
“Nós pertencemos a um desporto coletivo e o mais importante é ganhar, sobretudo títulos: o Mundial, no qual temos muita esperança, a Taça das Confederações, ao nível da seleção. Ao nível dos clubes: continuar a ganhar Ligas, Taças, Champions. Tudo isso motiva. Estamos neste desporto e é o que mais motiva. E hoje estamos aqui porque coletivamente as coisas correram bem e é por isso que podemos receber estes galardões individuais”.

euronews:
Se o Iker Casillas fizesse parte do júri, votava no Xavi para receber o Prémio Príncipe das Astúrias?

Iker Casillas:
“Sim porque o Xavi representa muito do que é a seleção espanhola. É um desportista muito admirado. Por isso sim, sem qualquer problema”.

euronews:
Suponho que o Xavi diria a mesma coisa, não?

Xavi Hernández:
“Sim e ainda por cima é assim que penso. É um desportista exemplar, um grande homem. Há muitos anos que nos conhecemos e sem dúvida alguma votaria nele”.

euronews:
Vamos mudar de tema. A Liga está decidida devido à vantagem do Barcelona ou ainda há muito por jogar?

Xavi Hernández:
“É muito cedo para o dizer, mas evidentemente temos uma muito boa vantagem, mas falta muita Liga. Sabemos que temos uma vantagem considerável, mas isso não quer dizer nada”.

euronews:
Na Liga dos Campeões vamos ter outro duelo Real Madrid-Barcelona ou há ainda espaço para surpresas como no ano passado?

Xavi Hernández:
“Vamos ver o que nos prepara o futuro, mas seria bom enfrentarmo-nos outra vez. Os duelos Barça-Madrid são especiais, há muita rivalidade histórica”.

euronews:
Seria genial outra final espanhola entre Madrid e Barça.

Iker Casillas:
“Seria bom porque ambas as equipas estariam na final por mérito próprio. Como disse o Xavi nos últimos anos temos visto muitos encontros Madrid-Braça e Barça-Madrid e é bonito para o futebol porque estamos sempre a preparar e à procura desses jogos. E as pessoas podem desfrutar desse momento”.

euronews:
“Na qualificação para o Mundial, está tudo mais ou menos bem encaminhado, mas com o empate contra a França, agora têm que ir ganhar a França para conseguir o primeiro lugar”.

Iker Casillas:
“Ninguém disse que ia ser fácil. Os nossos adversários jogam contra o Campeão do Mundo e Campeão da Europa e preparam-se mais para esses encontros. A França fez uma partida muito séria, muito bem organizada e sinceramente creio que o empate foi o resultado justo”.

euronews:
Voltemos aos Prémios. Sabem que um dos vossos predecessores foi Lance Armstrong. Têm alguma opinião sobre o escândalo de doping de que se tem falado nas últimas semanas?

Xavi Hernández:
“Li que não se pode retirar-lhe o Prémio. Por sorte, no futebol não temos este tipo de notícias, mas respeito o Armstrong”.

euronews:
Há ciclistas que se queixam de em alguns desportos como no futebol haver menos controlos do que no ciclismo. Defendem que há mais cumplicidade entre clubes e autoridades para que os casos de doping sejam menos relevantes.

Iker Casillas:
“Não me parece que seja assim. No futebol temos controlos multiplicados por três. Quando não é o Conselho Superior do Desporto, é a Federação Espanhola de Futebol, senão é a UEFA, a FIFA, os próprios clubes. Estamos sempre expostos a eventuais controlos. O que acontece é que é menos relevante porque não há nenhum caso de doping”.