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Crianças usam passado sofrido para criarem esperança

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Crianças usam passado sofrido para criarem esperança

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Apesar das convenções internacionais sobre os direitos das crianças, muitas ainda são vítimas de abuso, negligência ou maus-tratos. Mas alguns jovens superam essas experiências e tornam-se defensores dos direitos das crianças.

Nesta edição, falámos com Kesz Valdez e Emmanuel Jal sobre suas vidas inspiradoras e entrevistámos a especialista Maria Rita Parsi.

Aos dois anos, Kesz Valdez já trabalhava nas lixeiras de Manila, capital das Filipinas, em cujas ruas vivem mais de 1,5 milhões de crianças. Nestes locais insalubres, Kesz procurava comida e objetos para vender.

Depois de sofrer ferimentos graves, foi resgatado por duas assistentes sociais e desde então tenta ajudar outras crianças. Aos 13 anos, Kesz recebeu o Prémio Internacional da Paz para Crianças, em 2012, numa cerimónia em Haia, na Holanda.

Crianças-soldados

Emmanuel Jal foi criança-soldado no Sudão, na década de 90, mas hoje é um dos reis do hip-hop no Reino Unido.

Salvo de um destino terrível ao 11 anos por uma britânica que morreria tragicamente pouco tempo depois, o jovem passou a frequentar a escola. E foi aí que surgiu a vontade de ajudar os outros, tendo fundado a organização não governamental Gua Africa.

Já artista, usou a celebridade e o dinheiro conquistados com a música para fomentar a educação no Sudão do Sul. A Gua Africa financia a construção de escolas e a formação de professores.

Salvar outros é salvar-se a si

Psicóloga, terapeuta e escritora, Maria Rita Parsi é uma mulher apaixonada que, ao longo dos anos, fundou e apoiou organizações que dão protecção jurídica e social a crianças e adolescentes.

Depois de superarem as provações, algumas crianças fecham à chave o passado. Mas outras querem ajudar os que estão na mesma situação e criar mais consciência na sociedade sobre o problema.

“É um ato de empatia, para tentar compreender aqueles que também passam por dificuldades. É também uma forma de continuarem o processo de crescimento e de formação. Estas crianças não querem apenas ajudar os outros, para que tenham uma vida melhor, mas fazem ao mesmo tempo o luto de tudo aquilo porque passaram. De certa forma, salvando os outros, salvam-se a si próprios”, explica Maria Rita Parsi.

Sítios úteis na Internet

http://kidsrights.org

http://www.gua-africa.org/

http://emmanueljal.com/