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O fator Europa nas eleições norte-americanas

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O fator Europa nas eleições norte-americanas

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A Europa parece mais distante do que nunca no debate das presidenciais norte-americanas.

Há quatro anos, o próprio Barack Obama não hesitou em passar por Berlim durante a campanha, para falar de mudança.

Mas agora o “velho continente” é sinónimo antes de mais da crise económica, a mesma que o próximo presidente norte-americano deverá ultrapassar.

Mitt Romney não hesitou, por isso, em evocar a Grécia, Itália ou Espanha para criticar o legado do presidente cessante.

Um discurso similar ao da ultra-conservadora Heritage Foundation em Washington:

“Penso que Mitt Romney vai centrar-se mais na Europa do que o presidente Obama, mas penso que já passamos a era em que Washington julgava que a Europa é mais importante do que o resto do mundo, independentemente de quem seja o próximo presidente. Essa era a diplomacia do passado. Agora a Europa está em paz, está a perder importância económica relativamente à Àsia, e naturalmente os Estados Unidos vão interessar-se mais em zonas de conflito ou de crescimento económico do que em espaços onde estes fatores estão ausentes”.

Uma visão que explica o desentendimento entre europeus e Romney, quando Obama recolhe um apoio de mais de 75% no velho continente, segundo algumas sondagens.

Um sintoma de um mandato de quatro anos marcado por uma reaproximação diplomática transatlântica, que virou a página da guerra no Iraque, para dar lugar a uma sintonia de posições sobre a retirada do Afeganistão, a Rússia, o escudo anti-míssil da NATO, o Irão ou mesmo as revoluções árabes.

Independentemente do vencedor das eleições, o próximo presidente deverá ocupar-se da adoção de um acordo comercial com a União Europeia que, crise do euro ou debate sobre o reforço da união económica e política, permanecerá um parceiro comercial e um aliado estratégico dos Estados Unidos.