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Congressista democrata revela importância da raça e religião nestas eleições

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Congressista democrata revela importância da raça e religião nestas eleições

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A eleição do primeiro presidente afro-americano da história dos Estados Unidos foi marcante. Mas quatro anos depois, a vitória da raça parece estar esquecida. Será sinal de que o racismo ganhou terreno?

O correspondente da euronews em Washington, Stefen Grobe, ouviu a opinião da congressista democrata e ativista dos direitos civis Eleanor Holmes Norton.

A veterana afirma que o racismo ainda se sente, a nível subterrâneo, empurrado para debaixo do tapete pelo “politicamente correto”:

Eleanor Holmes Norton:

“O que é difícil discernir é a nódoa racial que ainda grassa nalgumas comunidades brancas da América, mas ela existe. É uma falta de respeito mostrar-se racista, atualmente, mesmo sendo-o. Por isso é difícil identificar o racismo”.

Uma sondagem antes das eleições de 2008, dava a vitória por seis pontos a Barack Obama se ele fosse branco.

“O presidente Jimmy Carter não era apenas democrata ele teve a maioria de votos dos brancos. Se foi tão difícil a um branco ser eleito presidente, pode imaginar-se a dificuldade do primeiro negro em ser eleito”.

Os censos norte-americanos mais recentes mostram que, pela primeira vez na América, o número de bebés das minorias étnicas aumentou em relação ao número de bebés brancos.

Assim, apesar da maioria branca se manter, a evolução demográfica mostra que esta alteração vai ter repercussões sociais e políticas no futuro:

“Num futuro próximo a maioria do país será de cor. Há pessoas, de uma determinada geração, para quem isto não é nada mais nada menos do que ameaçador. E o presidente é a ligação mais evidente a estas grandes mudanças na sociedade moderna”.

Para Norton, o facto das origens de Obama serem constantemente postas em causa pelos conservadores republicanos radicais foi muito revelador ao longo de todo o mandato:

“Na realidade, o que dizem é que ele é negro – e já é suficientemente mau – mas um negro de pai africano, é impossível! Dizem que não querem este homem, apesar das provas à vista. Só que agora só o dizem dentro de casa. Mas é evidente que o querem afastar”.

Com o problema da raça vem também o da religião. É uma exceção muito americana que Norton também questiona:

“É importante que se note que a religião foi politizada nos últimos 20 anos neste país. A maioria dos candidatos assume a religião, porquê? Porque esperam que isso traduza algo dos valores que defendem, que lhes consiga eleitores da mesma religião. Mesmo que o presidente fale da cristandade”.

A diversidade dos grupos religiosos americanos reflete-se em muitas questões, como por exemplo do aborto.

Mais de 35 anos depois do Supremo Tribunal ter garantido o direito da mulher à interrupção voluntária da gravidez, o assunto continua a ser tabu na América:

“É um tema controverso. Respeitamos os que têm razões de consciência para se oporem ao aborto. Muitos de nós não temos nada a ver com essa gente que gostaria de aprovar uma lei para subeter as nossas convicções às suas.
Não é próprio de uma sociedade livre que respeita a religião e que tenta manter as questões religiosas à margem da vida pública”.

Alguns defensores dos direitos civis asseguram ter realizado bastantes progressos, mas ainda há muitos que consideram que falta eliminar as profundas diferenças económicas entre os diferentes grupos étnicos dos Estados Unidos.