Última hora

Última hora

Fadista Mariza termina digressão europeia antes de novo disco

Em leitura:

Fadista Mariza termina digressão europeia antes de novo disco

Fadista Mariza termina digressão europeia antes de novo disco
Tamanho do texto Aa Aa

Ao fim de uma década, Mariza já vendeu um milhão de discos e fez mais de mil concertos por todo o mundo. Após uma pausa para ser mãe, retomou a digressão europeia e passou por Bruxelas, na Bélgica.

A fadista continua a sentir uma grande alegria em pisar os placos internacionais.

“O fado tem esta magia de conseguir transpôr a fronteira da língua e tocar nas emoções mais íntimas do ser humano, mexendo com elas. E é por isso que penso que a linguagem que o fado utiliza, que é uma linguagem emocional, é universal”, disse à euronews, por ocasião do concerto no centro cultural Bozar.

Mariza, agora com 39 anos, começou a ouvir fado aos 5, na taverna dos pais, no bairro lisboeta da Mouraria. E, apesar das muitas viagens, continua a precisar da inspiração alfacinha.

“A minha vida tem sido viagens, muitas viagens, conhecer culturas diferentes, públicos diferentes, países diferentes e isso tudo dá-me uma “bagagem de mundo”, faz com que a mente se abra. Mas ao mesmo tempo, voltar a Lisboa, às tradições, aos bairros típicos, ao meu rio Tejo, às sardinhas assadas e ao sentir o sol no rosto; faz com que tudo depois faça sentido”, explica.

Vista como embaixadora do fado, Mariza teve um papel de relevo na candidatura à UNESCO desta forma cultural portuguesa a Património Imaterial da Humanidade, classificação que foi obtida em 2011.

“Em Portugal começou-se a prestar-se ainda mais atenção ao fado, começou-se a querer acarinhar, cuidar, proteger e conhecer o fado. Um povo que conhece a sua cultura e as suas raízes é um povo preparado para dar passos em frente”, refere Mariza.

Vista como a principal herdeira de Amália, Mariza não considera a comparação muito respeitosa para a fadista que morreu em 1999. Mas defende que a memória de Amália seja revisitada pela nova geração.

“Penso que todos nós podemos utilizar o que ela deixou, tentando adaptá-lo aos dias de hoje. É a mesma coisa, por exemplo, que acontece nos Estados Unidos, com as as pessoas a cantarem as músicas de Frank Sinatra. É um legado que eles deixaram”, afirma.

Naturalmente a par das dificuldades económicas que Portugal atravessa, sob um programa de resgate internacional, a fadista não se deixa vencer pelo pessimismo. Realça o contexto internacional e a resiliência dos portugueses.

“Há travessias que temos de fazer, é uma aprendizagem. Obviamente que não é só Portugal que atravessa esta fase, é o mundo inteiro”, diz.

O quinto álbum de Mariza é bastante tradicional, depois de um mais eclético, com influências latinas e africanas. Em 2013, sairá um novo disco, mas a artista prefere deixar os pormenores em segredo e promete que será uma boa supresa!

Mais sobre le mag