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A segunda oportunidade de Obama

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A segunda oportunidade de Obama

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Os eleitores deram a Barack Obama uma segunda oportunidade quando o mandataram para mais quatro anos como presidente.

Logo a seguir à reeleição, Obama falou a uma multidão de eleitores de todas as etnias, religiões, e género.

“Não importa se és negro, branco, latino, asiático ou nativo, se és jovem ou velho, rico ou pobre, se tens deficiência ou não, se és hetero ou homossexual…podes conseguir tudo nos Estados Unidos se estiveres pronto para tentar”.

Encantada com o sonho americano multicultural, a comunidade latina votou em bloco. Mas tem havido muitas reclamações no Twitter por Obama não ter agradecido em espanhol.
O republicanos obtiveram apenas um em cada três votos dos latinos.

Martha Oliveros: “Votei Obama. Temos de lhe dar uma segunda oportunidade, o outro (Romney) era demasiado altivo e ainda estamos para ver como vai ser no futuro”.

Manuel Oliveros:

“Eu, como latino, em primeiro lugar estou preocupado com a estabilidade económica no país e nós como imigrantes não estamos aqui para nos deixarmos abater mas para singrarmos”.

O eleitorado popular também apoiou Obama. É revelador que 80% dos doadores da campanha tenham contribuido com menos de 200 dólares para a campanha de Obama e apenas 20% para a de Romney.

A fidelidade da comunidade negra também é inestimável, como se nota pelo entusiasmo dos cidadãos questionados.

Curtins Wilson:

“Votei pelo homem…e vão ver como vai ser com este homem no poder. E já sabemos que é Barack Obama.”

Haleema tem esperança na concretiza4ão de refformas:

“Votei no presidente Barack Obama. Estou contente com o que ele já mudou nesta legislatura e estou cheia de esperança nos resultados dos próximos anos”.

Todavia, esta presidência tem de coabitar com um conselho legislativo que não lhe é completamente favorável: os republicanos mantiveram a maioria na Câmara de Representantes, o que reflete a divisão do país.

O nosso correspondente em Londres, Ali Sheikholeslami, falou com Ian Bremmer, presidente do Grupo Eurásia.

Ali Sheikholeslami, euronews – Muitos norte-americanos, incluindo os apoiantes de Obama, não acreditam que ele seja capaz de mudar o estado das coisas, tal como prometeu há quatro anos. Assim sendo, qual é o significado do voto em Barack Obama hoje em dia?

Ian Bremmer, Eurasia Group – A população norte-americana está cada vez mais dividida. O fosso entre ricos e pobres, nos Estados Unidos, é agora o mais elevado desde os tempos da Depressão. E continua a crescer. Cresce sob administração dos republicanos e igualmente dos democratas. Penso que muitas pessoas que votaram em Obama pensavam que ele conseguiria alcançar um maior equilíbrio nesta situação. Em termos de política tributária, Obama apoiará menos os milionários, em comparação com o que Romney faria.
No entanto, dada a necessidade da América enfrentar o défice, a necessidade de equilíbrio orçamental, aqueles que estão numa situação mais vulnerável vão continuar a sofrer, independentemente de quem ocupar o poder. Trata-se de uma questão estrutural e não algo que oponha Republicanos e Democratas.

euronews – Em termos financeiros os Estados Unidos atravessam uma situação difícil. Numa situação destas os candidatos não têm grande margem de manobra. Mesmo assim, Obama venceu as eleições. Que lição se pode retirar daqui?

IB – Algo que, na minha opinião é muito importante nestas eleições, e é uma grande lição a retirar, é que num mundo em que a austeridade define as políticas de muitos governos, os titulares de cargos também perdem. As pessoas não gostam quando os governos impõem austeridade. Obama ganhou e esta vitória aconteceu, em parte, devido à falta de resposta às questões difíceis.
A decisão mais importante da administração Obama residiu nos cuidados de saúde; ninguém sabe muito bem como se irá pagar isso a longo prazo.
Este presidente não está apenas preocupado com a austeridade, com os problemas económicos e a dívida crescente, apesar de tudo isso ele prefere concentrar-se em gastar mais. As pessoas reagiram bem e deram-lhe mais um mandato. Tem mais quatro anos pela frente, o que é também uma mensagem a outros governos que precisam de ver como se vão manter no poder.

euronews – Tal como acontece noutros países, as eleições norte-americanas são predominantemente uma questão interna ou doméstica. Mesmo assim, ao reelegerem Obama, qual é a mensagem que os norte-americanos enviam ao resto do mundo?

IB – No terceiro debate presidencial de Obama ele deixou claro que chegou a altura de se concentrar
na construção nacional. Não se trata de um presidente e de uma América que se vá concentrar no resto do mundo. Eles não se vão envolver de forma ativa na resolução da crise na Europa; não vão enviar tropas para o terreno; eles não vão ser polícias do mundo. Muitos países pensarão que se trata de algo positivo; a América criou mais problemas do que resolveu. Mas também há muitos que estão preocupados com a ausência desse papel. O que é claro é que ninguém a substituirá.