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A primeira bienal palestiniana de arte contemporânea

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A primeira bienal palestiniana de arte contemporânea

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Em painéis bordados, de inspiração pop art, retrata-se Mohamed Bouazizi, o rosto mais conhecido da Primavera Árabe. O tunisino, que se imolou pelo fogo em dezembro de 2010, precipitando uma série de revoltas populares no norte de África, tornou-se num dos ícones artísticos na exposição Qalandiya International, em Ramallah.

Retratos, ecos e sombras dominam aquela que é a primeira bienal palestiniana de arte contemporânea. Uma das artistas representadas, Shada Safadi, baseou a sua inspiração “naqueles que se sacrificaram pela liberdade, que se tornaram numa espécie de fantasmas que são invocados aqui.”

A bienal foi batizada com o nome de um famoso símbolo de separação, o posto de controlo israelita Qalandiya, na fronteira com a Cisjordânia. Várias instalações artísticas foram dispostas em aldeias palestinianas, como Abwein. Lara Khaldi, da equipa de curadores, declara que “as organizações e os centros culturais envolvidos colaboraram com sete instituições para tornar ainda mais audível o que está a acontecer. Não apenas para captar a atenção internacional, mas também para integrar, procurar e trabalhar com públicos diferentes, nas aldeias e nas cidades.”

Num contexto politicamente fragmentado, transformar aldeias em galerias de arte permitiu à Qalandiya International dar uma oportunidade única de expressão a vários artistas palestinianos. Entre eles está Nardeen Srouji, que salienta o “sentimento de unidade que esta bienal incentiva. É uma oportunidade rara para os artistas se juntarem, colaborarem e apresentarem coisas juntos. No fundo, é isso que significa ‘unidade’”.

O prémio de “Jovem Artista do Ano” foi para Jumana Manna, de Jerusalém, que apresentou uma curta-metragem satírica, sobre um músico palestiniano que vai viver para Los Angeles, onde participa numa espécie de baile de máscaras.