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"O Vaticano desistiu dos europeus": introdução ao novo Greenaway


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"O Vaticano desistiu dos europeus": introdução ao novo Greenaway

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É o mais recente filme do realizador britânico Peter Greenaway: “Goltzius e a Companhia Pelicano”, uma obra de contornos teatrais, que estabelece uma inusitada ligação entre sexo, religião e novas tecnologias. A estória é uma adaptação livre de um conto do século 16, da autoria do pintor holandês Hendrik Goltzius.

Greenaway colocou os tipógrafos e atores da Companhia Pelicano na corte do Malgrave da Alsácia. Goltzius procura financiamento para uma versão erótica ilustrada do Velho Testamento. É claro que a provocação está longe de ausente. “Seria de pensar que a religião consiste na sublimação da vida, da procriação, do futuro, da fecundidade. Mas, como também saberão, o sexo é uma questão muito difícil para o Cristianismo, se tivermos em conta o absurdo que é a estória de Adão e Eva, no Genesis. Obviamente, são retratados neste filme. Talvez seja uma crítica, mas já é uma crítica morta. Hoje em dia, a maior parte dos europeus são ateus, o Vaticano desistiu da Europa e concentra-se, sobretudo, naqueles que mantêm um sentido de superstição”, defende o realizador.

Já o trabalho de ator, num filme de Greenaway, nunca é propriamente facilitado. Este não foge à regra; a nudez é constante. Para a atriz dinamarquesa Anne Louse Hassing, “este filme é particularmente especial por causa da nudez e das várias cenas de sexo. Por isso, antes das filmagens, era um pesadelo. Tivemos alguns encontros com o Peter para definir o que ia acontecer, concordámos em algumas coisas. E quando começámos a filmar, foi um sonho.”

Greenaway vai continuar no domínio pictórico: o seu próximo trabalho versará sobre Hieronymus Bosch.

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