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Prandelli : "Balotelli não é o que parece"

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Prandelli : "Balotelli não é o que parece"

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Depois do desaire da Itália no mundial 2010, Claudio Cesar Prandelli foi o homem chamado a substituir o treinador campeão do mundo, Marcelo Lippi. O antigo médio da Juventus deu início a uma operação de rejuvenescimento da “squadra azzurra” que rendeu frutos já no último europeu. A Itália foi segunda classificada e o selecionador conquistou os adeptos. Este homem de 55 anos, nascido em Brescia, que perdeu a mulher em 2007, elege a neta Manuela o bem mais precioso da sua vida. A euronews euronews veio até Parma conhecer o selecionador italiano e ouvir a opinião de Prandelli sobre tantos acontecimentos polémicos que abalaram o “calcio” nos últimos tempos
 
euronews: Cesar Prandelli, bem-vindo à euronews a obrigada por ter aceite o nosso convite. Como avalia a sua carreira como jogador?
 
Cesar Prandelli: Foi uma boa carreira, é verdade que me faltaram qualidades importantes, mas tive a capacidade de manter durante dez anos uma profissão, por isso direi que foi uma boa carreira.
 
euronews: E como é o Prandelli avô?
 
C. Prandelli: Ser avô para mim tem sido uma experiência fantástica, já disse aos meus filhos e à minha nora que vou fazer como todos os avós: mimar a minha neta, mais do que educá-la.
 
euronews: É um avô muito presente?
 
C. Prandelli: Absolutamente sim.
 
Foi no Verona entre 1998 e 2000 que Prandelli obteve os primeiros resultados como treinador, guiando o Verona da Serie B até à máxima divisão italiana. Mas os adeptos que estão no coração de Prandelli, ultrapassaram os limites a 20 de Outubro no encontro frente ao Livorno quando insultaram Piermario Morosini, o ex-jogador do Livorno morto em campo em Abril.
 
C. Prandelli: Posso dizer que estou indignado com o gesto dos adeptos do Verona. Mas atenção, porque todos têm de ser responsabilizados, não apenas o clube.
 
Prandelli deu um novo impulso à sua carreira no Parma, onde descobriu talentos do calibro de Adrian Mutu, Adriano e Gilardino e levou a equipa até à Taça Uefa.
 
C. Prandelli: Digamos que tive alguma sorte em encontrar rapazes extraordinários como estes. O talento é todo deles, que nos deram tantas alegrias naqueles anos.
 
euronews: E a propósito dos jovens, estes é o ano dos novos treinadores?
 
C. Prandelli: É justo que jovens com ideias e vontade de confrontarem-se o façam. Os novos treinadores têm demonstrado não só ter uma grande capacidade técnica, mas também capacidade de gestão e isso é determinante para um treinador jovem.  
  
Na época 2005-2006, Diego Della Vella, escolhe Prandelli para treinador da Fiorentina. Uma vez mais, a claque viola ultrapassou os limites ao insultar em coro os 39 adeptos juventinos mortos na tragédia de Heysel em 1985. Prandelli, que entrou em campo nessa triste partida de futebol, impôs-se contra os seus adeptos.
 
C. Prandelli: Não vamos fazer de conta que nada aconteceu, devemos bater-nos de frente contra este tipo de pessoas como eu fiz em Florença. A verdade é que quando os adeptos entendem que és honesto e sincero, a relação acaba por apaziguar-se.
 
A 30 de maio de 2010, a federação italiana anuncia o acordo com Cesar Prandelli. O técnico assina por quatro anos e estabelece desde logo um código ético. Os jogadores que sejam protagonistas de ações antidesportivas nos seus clubes não serão convocados. E, precisamente na era Prandelli, o escândalo “calcioscomesse” desaba sobre a seleção italiana.
 
C. Prandelli: Devemos afrontar estes escândalos com a certeza que alguma coisa pode ser feita em prol da mudança e do crescimento. Não vamos fingir que nada aconteceu. Temos de ter a capacidade de saber ler o que aconteceu e transformá-lo em algo positivo para o futuro.
 
euronews: Voltando à Série A, quem, na sua opinião, pode fazer frente à Juventus esta época?
 
C. Prandelli: Há várias equipas que podem fazê-lo, acredito que a própria Fiorentina, quarta no campeonato, possa lutar pelo título. Vejo o Inter de Milão muito bem posicionado, depois de todas as estas vitórias seguidas e o Nápoles também pode recuperar, como o próprio Milan. São todas equipas com capacidade para lutar pelo scudetto.
 
O escândalo das apostas ganhou notoriedade quando o antigo jogador do Gubio, Simone Farina, recuso 200 mil euros para viciar um resultado de um jogo da Taça Itália e como prémio foi convocado por Prandelli à seleção.
 
Cesar Prandelli: A atitude do Simone enche-nos de orgulho. Sentir-me-ei orgulhoso sempre que o vir, por aquilo que ele representa e fez pelo nosso país.
 
euronews: Para concluir esta série de notícias desastrosas para o futebol italiano, gostaria que comentasse a atitude do jornalista da Rai que se expressou numa peça de forma pouco educada em relação às pessoas de Nápoles, ao dizer que elas cheiravam mal.
 
C. Prandelli: Conseguimos mais uma fazer com que falassem de nós no mundo de forma negativa. Sinceramente, é um comentário lamentável e eu prefiro não comentar para não dar importância a este jornalista.
 
euronews: Sobre Mario Balotelli, sempre disse que ele era um rapaz que às vezes falhava no seu comportamento, mas que era extraordinário. 
 
C. Prandelli: Mário na realidade é melhor do que aquilo que aparenta.
 
euronews: Ele faz de propósito?
 
C. Prandelli: Não, não direi que é propositado, mas ainda tem de aprender a conviver com a popularidade. Atualmente é um personagem do futebol mundial, mas deve interiorizar bem que um jogador é importante por aquilo que faz em campo.
 
euronews: Duas palavras sobre Daniele De Rossi, um jogador por quem sempre teve uma grande estima, no entanto, no último derby, cometeu erros que podiam ter sido evitados.
 
Prandelli: Daniele é um rapaz que se transforma num grande adepto de si próprio nos derbys e se excede em alguns comportamentos, mas basicamente é um jogador extraordinário que já deu tanto a esta seleção e continuará certamente a dar.
 
No último europeu, a Itália dominou a Espanha no primeiro encontro, fez um jogo fantástico contra a Alemanha nas meias-finais, mas foi humilhada frente aos campeões do mundo na final, uma espécie de déjà vu do Itália-Brasil do mundial de 70.
 
C. Prandelli: A Espanha é uma seleção mais forte do que a nossa, também tivemos alguma azar com as lesões sofridas pelos nossos jogadores nas meia-finais. Já durante o encontro, quando tentávamos recuperar, ficamos reduzidos a dez.
 
euronews: O que é que pensa fazer quando for grande: continuar no futebol ou passará ao cinema, isto visto a sua última participação no filme de natal?
 
C. Prandelli: Não, quero dedicar-me aos meus netos a tempo inteiro.
 
euronews: A Itália foi o primeiro país a introduzir os árbitros de baliza no seu campeonato.
 
C. Prandelli: É uma ótima novidade. Estou convencido que ainda precisam de tempo para se coordenarem melhor entre eles, mas para todos os efeitos temos cinco árbitros.
 
euronews: O quinto lugar do ranking da FIFA é o lugar da Itália ou é um ponto de partida?

 
C. Prandelli: O quinto lugar representa o trabalho que temos feitos nos últimos tempos, mas a seleção italiana está ainda em evolução. Temos muitos jovens e temos a obrigação de dar várias oportunidades a estes jovens, porque este quinto lugar pode ser apenas um ponto de partida.
 
A Itália começou a fase de qualificação para o mundial do Brasil de maneira muito modesta com um empate frente à Bulgária, mas a 12 de outubro vence 3-1 a Arménia e poucos dias depois repetiu o resultado frente a Dinamarca.
 
euronews: A Itália está bem encaminhada em vista da qualificação para o mundial, onde pode chegar a seleção de Prandelli?
 
C. Prandelli: Antes demais temos de manter os pés assentes terra e pensar que o apuramento não é um dado adquirido como a maioria das pessoas pensa. Quando alcançarmos o objetivo qualificação, a minha ideia é continuar a renovar a equipa para enfrentar o mundial da melhor maneira.