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Israel: batalha da informação e da contra informação

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Israel: batalha da informação e da contra informação

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Israel e o Hamas enfrentam uma nova batalha: a da comunicação e da contra informação.

Em resposta aos ciber ataques dos grupos xiitas libaneses, do Hezbollah e de Anonymous, o exército israelita está a usar as redes sociais e a internet para ganhar esta guerra da comunicação.

Luis Carballo, da euronews esteve na sede das forças de defesa isarelitas, onde se centraliza a ação.

Atualmente estão a trabalhar duas células, em Jerusalém e Telavive, com um número indeterminado de efetivos, que pode rondar os 5000, entre militares e jovens contratados, mesmo no estrangeiro.

Avital Leibovich é porta-voz do Exército de Israel para os Media internacionais:

“O objetivo é realmente tentar chegar a um público em todo o mundo, um público que nem sempre recebe as notícias dos Media tradicionais pela via eletrónica. Queremos conseguir essa audiência e influenciar o mais possível a fluidez de informações e conteúdos visuais”.

O exército israelita contratou os melhores estudantes de informática no país e da diáspora, desde 2008 para a chamada operação Pilar da Defesa. Mais de 300 foram recrutados e muitos mais vão chegar. No entanto, Israel já está presente na quase totalidade das plataformas disponíveis na internet.

Avital Leibovich, Israel Defense Forces:

“Há uma diferença entre uma organização militar e as redes sociais. Porquê? Porque um militar é mais fechado, mais duro, é diferente.
As redes sociais são exactamente o contrário, são interativas, abertas, mais emocionais. Mas a principal vantagem é que temos pessoas como Topaz e os amigos, com 18 anos, que nasceram com este tipo de realidade e por isso são tão criativos. Nós beneficiamos desta criatividade”

Topaz:

“Tudo o que divulgamos é publicado em inglês, francês e espanhol simultaneamente. Este é um exemplo dos folhetos que distribuimos aos civis de em Gaza. É também um exemplo do que fazemos. Agora estou na página em francês, a nossa página no facebook em francês.”

Cada vídeo, cada twitt, cada palavra, passa através de filtros. A conta no Twitter das forças israelitas de Defesa tem mais de 200 mil seguidores, entre eles, os jornalistas estrangeiros que cobrem o conflito.

As redes sociais foram determinantes na Primavera Árabe e contribuíram para fazer cair ditadores. Israel espera também conseguir a simpatia da opinião pública mundial.

Luis Carballo, correspondente da euornews em Jerusalém:

“Perante estes muros há batalhas, há séculos. A que enfrenta agora Israel com o Hamas combate-se com as com as armas de sempre mas também com outra muito diferente: a internet. Com esta versão 2.0 da guerra, Israel quer reverter o axioma que diz que habitualmente ganha no campo de batalha mas frequentemente, perde a guerra da comunicação.” Em Jerusalém, Luis Carballo para a euronews.

Yuval Dror, israelita, perito em novas tecnologias na Faculdade de Rishon Letzion, perto de Telavive, analisa o impacto da nova estratégia:

“As redes sociais têm duas mensagens: a primeiro centra-se exclusivamente na conversa, ou seja, não é um caminho unidirecional, é uma conversa em duas direcções e as forças isralitas de defesa querem participar nela.
O segundo aspecto é que tentam evitar os intermediários, os jornalistas, para se dirigirem diretamente à audiência, porque pensam que os intermediários, por vezes, não contam como devem as histórias .”

Dror assegura que o risco de usar as redes sociais para cobrir este tipo de conflitos é que se banalize a guerra:

“Posso perceber que queiram usar o Twitter, posso perceber o Facebook…mas o Tumblr? E o Flickr?? Talvez seja o estilo adolescente, mas esta é uma guerra com baixas, com imensos danos, e talvez a estejam a banalizar demais. Estão a tornar isto um evento diário. Há muitas críticas a este respeito: talvez as redes sociais não constituam plataformas ideais para os conflitos.

Dror considera que a estratégia da Defesa isarelita (IDF) abre um precedente para outros em termos de comunicação:

“Até agora, não tínhamos visto um exército regular utilizar as redes sociais com tal intensidade, e não ficamos por aqui, porque a informação hoje passa pelas redes sociais, é o futuro dos Media. A audiência está lá, milhões de pessoas estão no Facebook e é com elas que se pretende comunicar, enquanto estão online em casa. É algo sem precedentes e outros vão seguir o exemplo.”

A questão é saber se a estratégia funciona. Será que a melhor comunicação pode bater o poder das imagens dos civis palestinianos a serem retirados dos escombros?

“Tomemos o exemplo que sugeriu, sobre o edifício atingido por um missil, onde muitas pessoas morreram. Um lado da história, é mostrar quantas crianças morreram. O outro lado da história, que não sei se é o caso, pode ser o de um terrorista no interior do prédio, e esse terrorista, num local com bastantes civis, tenha desencadeado um ataque suicida por saber que a defesa israelita não o vai procurar. Assim, é a mesma história, mas sob duas perspetivas. No passado, a Defesa israelita foi acusada de não contar a história toda. Mas, desta vez, estamos num tempo em que não se permitem erros. A Defesa israelita conta as histórias diretamente ao público. Será que isso os vai ajudar. Não sei, mas é um bom esforço.”