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Cientistas procuram respostas à dor


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Cientistas procuram respostas à dor

Podem as tarântulas e as cobras ajudar a lutar contra a dor crónica? É verdade que uma dentada de um destes bichos magoa, causa irritações e inchaço, mas o veneno pode ser um bom remédio contra a dor, segundo alguns cientistas.

O alívio da dor é uma das áreas mais importantes da pesquisa científica, neste momento. O desafio é encontrar um medicamento, não para as dores intensas e passageiras devidas a um ferimento, mas a dor crónica, devida a doenças como a esclerose ou a artrite.

“Os venenos podem ativar e controlar os genes que controlam a dor, melhor que os medicamentos modernos, por isso estamos a pesquisar as tarântulas. Há um veneno em particular que atua sobre um certo gene. Se as pessoas sofrem uma mutação nesse gene, deixam de sentir dor. Há um veneno de tarântula que bloqueia esse gene nas pessoas saudáveis. A esperança é que isso possa desligar a dor”, diz Steven Trim, fundador da Venomtech.

Os cientistas estão à procura de formas de provocar esta mutação. A dor é mais que uma simples resposta física. Aquilo que nos faz únicos também faz com que as nossas respostas sejam diferentes. As novas tecnologias abriram caminho para percebermos o que acontece no nosso cérebro quando a dor é infligida.

Dentro da máquina do TAC, o paciente ouve música trise e depois são-lhe espetados filamentos que permitem medir o nível da dor: “É surpreendentemente eficaz. Enquanto tocavam a música, pediram-me para ler coisas sobre mim, a dizer que não sirvo para nada, coisas dessas, para induzir depressão ou algo semelhante. E depois, como se não bastasse, começaram a queimar-me”, diz o cientista Melvin Mezue, que se ofereceu para ser cobaia na investigação.

“Em termos de dor crónica, há muito poucos fármacos. O tratamento mais eficaz é talvez a Gabapentina, que não só tem muitos efeitos secundários, como as qualidades analgésicas foram descobertas por acidente. É um medicamento para a epilepsia, a forma como combate a dor ainda não é muito clara, ainda não temos nenhum medicamento que tenha passado a fase pré-clínica e cuja mecânica seja inteiramente conhecida e aplicável aos humanos”, acrescenta.

Uma equipa da Universidade de Cambridge está a investigar se a condição conhecida como analgésia congénita, que impede as pessoas de sentirem dor, pode ser a chave para lutar contra a dor crónica, sem os efeitos secundários dos opiácios, como a morfina. Os cientistas descobriram que as pessoas com uma insensibilidade congénita à dor sofretram todas uma mutação no mesmo gene.

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