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O que Vivaldi pode fazer pelo vinho

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O que Vivaldi pode fazer pelo vinho

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É conhecida a teoria de falar com as plantas, para lhes evitar as fragilidades. Mas, passar música clássica numa vinha para estimular as uvas?

É precisamente o que acontece numa vitivinicultura em Stellenbosch, na África do Sul. A propriedade de Demorgenzon decidiu abrir um nicho próprio na indústria: vinho desenvolvido ao sabor de Vivaldi.

Não havendo, para já, provas científicas, há dados que apontam para um possível benefício produzido pelas ondas sonoras, como explica a professora Lise Korten, da Universidade de Pretória: “o impacto da música nas células vegetais, no crescimento bacteriano, interfere com a taxa de crescimento, o que parece ser confirmado pelo estudo da estrutura e do núcleo das células.”

Outros, como Albert Strever, da Universidade de Stellenbosch, são bem mais céticos: “nunca vi nenhuma experiência que comprovasse, seja de que forma, que a qualidade das uvas, ou a sua composição, era estimulada através de sons numa vinha controlada. É algo que resulta de uma aparente perceção, que remonta a um folclore antigo.”

A casta Syrah está na base de cerca de 60 por cento do vinho tinto Demorgenzon. O produtor Carl van der Merwe faz a sua descrição do resultado final: “este vinho em particular veio de uma viticultura onde pusemos música. Gostaria muito de dizer que ouço resquícios de música barroca no copo. Neste caso específico, abrandou o ritmo de crescimento. Mesmo tendo sido colhido mais tarde, o nível de álcool não é tão elevado como noutros terrenos.”

De qualquer forma, já há muitas pessoas interessadas em visitar a propriedade, onde o vinho é promovido com o argumento de que a música clássica lhe dá aromas mais nobres.