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Catalunha: convergência sem união para o projeto de independência

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Catalunha: convergência sem união para o projeto de independência

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Os separatistas catalães celebram uma vitória inédita, depois de se terem tornado ontem na segunda formação da região espanhola.

O resultado da Esquerra republicana (ERC) nas legislativas catalãs representa uma sanção contra o atual governo nacionalista conservador, reeleito ontem, mas longe de uma maioria que lhe permita mesmo governar sozinho.

O líder da Esquerra Republicana, Oriol Junqueras, lembrou:

“O povo da Catalunha exprimiu a sua vontade e votaram a favor de um projeto de independência”.

Um projeto que não é apenas o de Artur Mas e que vai implicar longas negociações entre as duas formações ideologicamente opostas.

O líder do partido Convergência e Union (CIU) recebeu os resultados das eleições de ontem com um sorriso amarelo depois da sua formação ter perdido 12 deputados.

Reeleito, Artur Mas, fica assim mais distante de liderar sozinho o processo para um referendo à independência, mesmo depois dos partidos pró-soberania serem os grandes vencedores do escrutínio.

Artur Mas deixa assim uma advertência:

“Aqueles que lêem os resultados do voto como o fim do projeto de independência da Catalunha devem ter cuidado e rever as suas contas”.

E o resultado das contas está longe de ser evidente.

Os partidos pró-independência, somam apenas mais um lugar no parlamento, sem obterem no seu conjunto a maioria absoluta necessária à convocação do referendo. As formações defendiam até hoje opções distintas de soberania, da ruptura com Madrid, ao federalismo, passando por uma autonomia reforçada.

As eleições de ontem foram igualmente marcadas pelo recuo do partido socialista (PSC) que ficou quase aquém do resultado dos populares (PP), com um eleitorado de esquerda a colocar no parlamento, e pela primeira vez uma formação independentista anti-capitalista, o partido Candidatura Unidade Popular (CUP).

Uma “convergência sem união”, que deverá obrigar Artur Mas a delicadas negociações para obter o apoio a um projeto “único” de referendo.