Última hora

Última hora

Estado francês revê política para as multinacionais

Em leitura:

Estado francês revê política para as multinacionais

Tamanho do texto Aa Aa

O ministro francês da Reconstrução Produtiva, Arnaud Motebourg assegurou que não queria a Mittal em França porque o grupo não tinha respeitado o país. Pouco depois, suavizou a afirmação, recusando apenas os métodos da Mittal, de falta de respeito, no chantagem e nas ameaças.

O 1 de outubro, a ArcelorMittal anunciou a intenção de fechar uma parte dos fornos da fábrica de Florenge em Moselle, onde trabalham 650 pessoas. Este sábado expira o prazo do adiamento que permite o processo de encerramento.

O Estado encontrou dois compradores, mas para o complexo integral. A família Mittal não quer ceder a totalidade.

Desde 2005, o grupo Arcelor Mittal é o primeiro produtor de aço a nível mundial. Emprega 260 mil pessoas em 60 países e produz 86 milhões de toneladas de aço por ano.

Mas o endividamento do grupo atingiu 17,9 mil milhões de euros e tem um volume de negócios de 73 mil milhões.

No terceiro trimestre o grupo registou uma perda de 547 milhões de euros, 303 milhões dos quais por causa das fábricas francesas.

Para o Estado francês, o grupo Lakshmi Mittal esta a ser mal gerido: duas agências de notação em cada três consideram que os títulos da dívida da AM constituem um investimento especulativo.

O grupo também é acusado de não manter a promessa de investir nos altos fornos de Florange, entre 2013 e 2015.

O grupo defende-se de todas as acusações, culpando a conjuntura económica: desde 2007, a procura da Europa caiu 25% no setor automóvel e na construção.

Alguns especialistas consideram que a nacionalização transitória pode ser uma solução, que está consagrada constitucionalmente.

A França não é uma exceção: em 2009, a ão Obama, nos Estados Unidos, salvou a general Motors da falência. Quatro anos depois o grupo reergueu-se. Antes dele, já Ronald Reagan tinha salvo a Chrysler e David Cameron já nacionalizou seis bancos britânicos. A Alemanha também já está a optar pela nacionalização das produtoras de aço.

Se o Estado francês fizer o mesmo com a AM, suscita várias questões, nomeadamente se assistimos a uma mudança de atitude dos governantes face às multinacionais.