Última hora

Última hora

Irmandade Muçulmana: rumo ao radicalismo egípcio

Em leitura:

Irmandade Muçulmana: rumo ao radicalismo egípcio

Tamanho do texto Aa Aa

Mais de um ano e meio depois da Revolução, o Egito está num impasse.

Na última semana, a revolta aumentou por causa do mais recente decreto do presidente Morsi que outorga a si próprio plenos poderes.

Várias sedes da Irmandade Muçulmana foram incendiadas em diferentes pontos do país.
Os juízes aderiram ao movimento de protesto, assim como os liberais, em geral, e todos os que ajudaram a depôr Hosni Moubarak há um ano. Exigem a anulação do decreto.

Era de esperar que a Irmandade Muçulmana seguisse a via da radicalização….só os liberais tinham esperança numa alternativa à medida da Primavera Árabe.

Saad El Din Ibrahim, ativista dos Direitos Humanos e analista político:

“A Irmandade Muçulamana está a tentar controlar e remodelar a culturatal como a concebem, com o objetivo de islamizar o país. Quero dizer, o regime é assim e não o ocultam. Não o estão a fazer subrepticiamente, em segredo: é a agenda prevista.”

A estratégia de paciência que a Irmandade aplicou com rigor, está a dar frutos. Esperou quatro dias durante as manifestações da Praça Tahrir para se juntar ao movimento. Foi o tempo necessário para medir a amplitude da revolta contra Mubarak.

No entanto, a Irmandade Muçulmana foi quem mais ganhou com a Revolução. As forças liberais não conseguiram contrabalançar, nas legislativas de 2011, a primeira força política do país, que ganhou 235 assentos parlamentares dos 498 do novo Parlamento eleito democraticamente, com 47% dos votos.

Mohammed Morsi apareceu em cena no mês de abril de 2012, quando a candidatura de Khairat Al Chater foi invalidada pela Comissão Eleitoral.

Em junho passado, Morsi ganhou as eleições presidenciais contra um candidato do Exército Ahmad Chafiq. Em agosto, demitiu o marechal Tantaoui e chamou a si o poder legislativo. No dia 22 de novembro fez uma declaração constitucuinal que priva o poder judicional de contestar as suas decisões ou leis.

Só a oposição ainda acredita em mudança…

Essa, Al Arian, líder do Partido Liberdade e Justiça:

“Este decreto é temporário, e quando se votar a nova Constituição todos os decretos serão anulados e teremos uma nova página da história de Egito, que vai converter-se num Estado constitucional moderno.”

Mas antes, o presidente Morsi e os correlegionários da Irmandade vão ter de acabar com este impasse constitucional, como desejam os Estados Unidos.

O FMI indicou que uma mudança radical pode anular as pretensões ao prévio acordo sobre o plano de ajuda de quase 5 mil milhões de dólares.