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Dia histórico para a Palestina

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Dia histórico para a Palestina

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A Palestina pode viver hoje o dia mais importante de sempre. A Assembleia-Geral das Nações Unidas vai votar o reconhecimento do Estado palestiniano. A aprovação parece garantida.
 
Ao contrário da proposta de Mahmud Abbas em setembro, que pretendia dar à Palestina o estatuto de Estado membro de pleno direito, a proposta atual prevê uma subida de degrau. A Autoridade Palestiniana (AP) passa de mera entidade ao grau de Estado observador não-membro.
 
“Ocupar um outro Estado que pertence à mesma organização é algo que tem consequências, por isso acredito que no dia seguinte Israel vai ter de avaliar melhor as suas ações”, diz Xavier Abu Eid, conselheiro para a comunicação da AP. 
 
Do lado israelita, as opiniões dividem-se. Em setembro, Benjamin Netanyahu respondeu de forma muito dura ao discurso de Abbas. O politólogo Dore Gold, antigo conselheiro do primeiro-ministro, desvaloriza a votação desta noite: “Não vamos exagerar o que esta resolução significa para o futuro da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. Não significa absolutamente nada. Não tem quaisquer consequências para o exército de Israel, nem para os colonatos, nem para todos os assuntos sobre os quais estamos em desacordo com a Autoridade Palestiniana”.
 
Israel, os Estados Unidos e mais alguns países vão, como seria esperado, votar contra. Netanyahu apresenta argumentos históricos: “Tenho uma mensagem muito simples para deixar a todos aqueles que estão reunidos hoje na Assembleia-Geral da ONU. Nenhuma decisão da ONU pode abalar os laços de 4000 anos que unem o povo de Israel à terra de Israel”.
 
Se for aprovado, o novo estatuto é um reconhecimento tácito do Estado palestiniano e pode permitir à Palestina tornar-se membro de organizações como o Tribunal Penal Internacional, o que abre a porta a possíveis processos contra Israel e políticos ou militares israelitas.
 
A proposta palestiniana tem o apoio de vários países europeus, incluindo Portugal e também a França, a Espanha ou a Suíça.