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Liberdade de imprensa em debate no Reino Unido

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Liberdade de imprensa em debate no Reino Unido

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Sally Dowler, mãe da malograda adolescente Milly:

“Telefonei-lhe e a chamada foi para a caixa das mensagens e ouvi a voz dela. Pensei que as mensagens tinham sido ativadas ela estava viva”.

Na primavera de 2011, o Reino Unido ficou em estado de choque quando descobriu que uns jornalistas do tabloide News of the World, de Rupert Murdoch, tinham pirateado o telefone de uma adolescente desaparecida. A família foi induzida numa falsa esperança e o país não perdoou, partindo para um profundo debate sobre a cultura, práticas e ética nos Media.

Murdoch desculpou-se perante a família Dowler…
Como fundador do grupo mostrou-se interessado em averiguar toda a verdade e desculpou-se, mas não foi suficiente.

O jornal fechou de vez em julho de 2011.

No ano passado a investigação do ministério da Justiça, de Lord Leveson, ouviu vários famosos, como Hugh Grant, que sofreram pressões do jornal, intrusões e agressões que afetaram a vida familiar e profissional.

Ficou provado que o jornalismo exercido no Reino tem uma face obscura que, frequentemtne, atripela qualquer ética ou deontologia.

Leveson também ouviu os MacCann por causa de um alegado roubo de um diário.

“Eram notas íntimas de uma fase de desespero na vida.”

O inquérito também expôs as relações perigosas entre políticos veteranos, nomeadamente o primeiro ministro britânico, David Cameron, com figuras dos media, como a chefe de news interntional, Rebekah Brooks.

Lord Leveson defende uma imprensa independente e um organismo que a regule e seja imposto por lei.

Apesar das críticas e perspetivas, Nick Robinson, editor de política na BBC, afirma que a imprensa livre, sem limites, vai continuar.

“Não vai haver censura, nenhum político de primeiro plano pode ser a favor da censura nme apoiar um organismo de regulamentação governamental. O debate é o seguinte: se houver um organismo de regulamentação da imprensa – como é o caso – o legislador tem um papel a desempenhar no reconhecimento desse orgão de controlo.”

Bob Satchwell, diretor executivo da Sociedade de Editores, considera que se deve relativizar o assunto.

“O que está realmente em jogo é a liberdade deixada à imprensa para redigir milhões de histórias que, diariamente, ajudam a proteger a liberdade do público, as histórias que lutam contra a injustiça e ajudam as pessoas com um quotidiano normal.”

A concentração económica dos títulos da imprensa em três grandes grupos não encoraja a independência dos jornalistas.