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ONU dá privilégios à Palestina mas limita hostilidade contra Israel

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ONU dá privilégios à Palestina mas limita hostilidade contra Israel

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As Nações Unidas concederam com larga maioria o estatuto de Estado observador não membro à Palestina. Em 193 países membros, 138 – dos quais 13 da União Europeia – pronunciaram-se a favor. Houve 41 abstenções e 9 votos contra.
Entre eles Israel, mas também os Estados Unidos, o Canadá, a Repúblique Checa, o Panamá e os países insulares do Pacífico.

Com este voto, Israel e os Estados Unidos ficam numa situação de isolamento sem precedentes e é tanto mais simbólico que aconteceu no dia do 65° aniversário da partilha da Palestiniana, em 1947.

O resultado era esperado pelo governo israelita, que pressionou os europeus sem os conseguir dissuadir. Mas para o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, nada muda no terreno:

“A decisão das Nações Unidas não vai avançar o estabelecimento de um Estado Palestiniano, só vai atrasar o processo”.

Mas a continuação da política de colonização israelita na Cisjordânia e em Jerusalém Leste torna cada vez menos realista a possibilidade da criação de um tal Estado.

O estatuto de Estado observador confere aos palestinianos um novo meio de pressão e outorga-lhe o poder de recurso ao Tribunal Penal Internacional.

Dourou Gold, Conselheiro israelita:

“Os palestinianos reforçaram claramente a sua posição. Por exemplo, podem recorrer ao Procurador do Tribunal Penal Internacional em Haia e fazer acusações contra os oficiais israelitas, mesmo sem fundamentação, sejam atuais ou passadas. Mas se usarem o novo estatuto para fundamentar uma posição hostil contra Israel, então Israel pode adotar medidas severas contra a Autoridade Palestiniana”.

Israel pode, nesse caso, bloquear os 200 milhões de dólares de impostos mensais que recebe em nome da Autoridade Palestiniana ou reduzir o os vistos de trabalho que concede aos palestinianos.

David Walzer, embaixador de Israel na Uni~´ao Europeia.

James Franey, euronews – Os palestinianos estavam à espera deste tipo de reconhecimento desde 1947. Que teme Israel como consequência?

David Walzer – Israel não sente nada a este respeito. Às vezes somos receosos mas isto não nos assusta.
Observamos os aconteciemntos na ONU como um exercício que não nos leva a lado nenhum.
Pragmaticamente, parece-nos que não ajuda os palestinianos a realizar o sonho da independência e de um Estado palestiniano, não os ajuda a ir em frente. O que vai provocar é mais brechas e animosidade, tornar mais difícil, para os dois lados, o regresso às negociações para discutir os parâmetros do Estado palestiniano, lado a lado com Israel, em paz e segurança.

euronews – Um diplomata palestiniano afirmou ontem que é impossível “negociar uma parte do bolo quando Israel come o bolo inteiro”. O que responde a isto? DW – Em resposta ao meu colega palestiniano eu começaria por lhe perguntar porque insiste na mesma questão.

Acabo de mencionar um certo número de pontos que Israel está pronto a discutir: a segurança, as fonteiras definitivas, o reconhecimento de Israel como Estado judeu e outros temas desta natureza.
Tudo questões importantes para o estatuto definitivo.

Digo claramente: a questão das implantações é reversível. Os outros pontos são mais complicados. É por isso que os palestinianos, e eles sabem-no muito bem, devem evitar abordar estes temas fundamentais.

Voltando à questão das implantações, gostaria de lembrar que este governo israelita foi o primeiro, desde 1967, a congelar a construção de colonatos. Foi o governo de Netanyahu.

euronews – Fala de consequências para os palestinianos. Que quer dizer?

DW – Não, não posso entrar nestes detalhes, não seria inteligente da minha parte. Como já foi dito, este foi um passo em frente unilateral, dos palestinianos. É uma violação dos acordos que não será ignorada. Mas não quero voltar ao assunto.

euronews – Mas não coloca de parte o corte de financiamentos à Autoridade Palestiniana?

DW – Não estou em posição de responder.