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Um prémio pela paz mas não consensual

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Um prémio pela paz mas não consensual

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1945, a Segunda Guerra Mundial e os seus horrores terminaram. Winston Churchill falava em virar as costas aos horrores do passado, olhar para o futuro, construir uma espécie de Estados Unidos da Europa. Era preciso estabilizar e reconstruir o Velho Continente.

O Nobel da Paz para a Europa é visto, por alguns, como tendo razões históricas. Ao longo dos anos, a Europa constrói-se, cresce e semeia os seus ideais democráticos que culminam na reconciliação franco-alemã e na queda do Muro de Berlim.

Em 2004, dez países, oito dos quais do antigo bloco soviético juntam-se à União. Roménia e Bulgária aderem em 2007 e outros países, da antiga Jugoslávia esperam a sua vez. A União, como garante da paz no continente, é uma fórmula que funciona há 60 anos.

Mas o Nobel não é consensual há quem analise o presente, anteveja o futuro e não compreenda.

“É uma piada, a UE é um mecanismo burocrático que não protege nada para além do capital bancário, é um grupo de capitalistas a trabalhar
contra as massas, por isso, a atribuição de um Nobel da Paz é uma completa anedota”, afirma um grego.

Hoje, na Europa, as pessoas manifestam-se contra um continente em crise. A austeridade domina e é visível a crispação entre os atuais líderes e os europeus que têm, cada vez mais, dificuldade em aderir e se identificar com o projeto europeu.

Testemunho desta perda e rejeição europeia é o aumento, em muitos países, do nacionalismo, dos movimentos independentistas, de uma identidade defensiva e mesmo extremista.

Mas como é que os representantes europeus veem a atribuição deste prémio?

Herman van Rompuy, Presidente do Conselho Europeu, afirma:

“O verdadeiro propósito da União Europeia foi a reconciliação, a paz depois de duas guerras mundiais. Fiquei surpreendido pelo facto das pessoas reconheceram os seus méritos fundamentais, mesmo em dias difíceis para a UE.”

José Manuel Barroso, presidente da Comissão Europeia, fala do objetivo pacifista da UE:

“Sabemos, por experiência na guerra, que o populismo e o nacionalismo são um perigo para a paz. Mas a União Europeia é um projeto para a paz que está acima das diferenças entre países e acredito que podemos vencer a luta contra o nacionalismo”.

Martin Schulz, deputado do Parlamento Europeu, explica:

“Eu compreendo as pessoas que têm dúvidas em relação à União Europeia. Não estamos no nosso melhor. Mas a ideia de uma Europa onde Estados e fronteiras, entre as nações, se unem em instituições comuns para gerir os desafios do século XXI, como se fez no século XX, é incontestável.”

O presidente do Comité do Nobel apelou aos europeus para seguirem em frente, mostrando um europeísmo que, paradoxalmente, não é seguido pela Noruega que, obstinadamente tem recusado aderir à União.