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Prémio Sakharov entregue sem a presença dos dois ativistas iranianos

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Prémio Sakharov entregue sem a presença dos dois ativistas iranianos

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Nasrin Sotoudeh, advogada e defensora dos direitos humanos iraniana e o cineasta, também do Irão, Jafar Panahi. Os ativistas foram galardoados com o Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento 2012. Uma distinção entregue no Parlamento Europeu em Estrasburgo.
O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz explicou que “com o Prémio Sakharov, o Parlamento Europeu homenageia os esforços extraordinários de Sotoudeh e de Panahi na luta pela diginidade humana, pela defesa dos direitos dos cidadãos e pela mudança política no Irão”

O Parlamento Europeu pede também a libertação incondicional dos dois opositores ao regime de Ahmadinejad, que foram presos em 2010 depois dos protestos contra a reeleição do Presidente, em 2009.

Shirin Ebadi, Nobel da Paz de 2003, recebeu o prémio em representação de Sotoudeh e lembrou que “as duas cadeiras vazias simbolizam o comportamento do regime iraniano para com os cidadãos, um regime que em mais de 30 anos tem apostado na repressão.”

Jafar Panahi está em prisão domiciliária e está proibido de realizar filmes durante 20 anos.
Nasrin Sotoudeh, foi durante anos uma das vozes mais fortes na denúncia dos abusos dos direitos humanos cometidos pela República Islâmica e está condenada a 6 anos de prisão e 20 sem exercer a advocacia.

Poderá o Prémio Sakharov, atribuido a dois ativistas dos direitos humanos iranianos mudar a situação no Irão e as relações com a União Europeia? A euronews colocou esta questão a várias personalidades.

Karim Lahidji, da Federaçao Internacional dos Direitos Humanos e da Liga Iraniana de Defesa dos Direitos Humanos explicou que “esta é uma mensagem de solidariedade do Parlamento Europeu, como representante do povo da Europa para com o povo iraniano que tentou, em 2009, restabelecer a democracia no Irão.
Sabe-se que as manifestações gigantescas do povo iraniano foram incomodas e infelizmente arrasadas e que, atualmente, há centenas de presos políticos, que continuam na prisão. Por isso, esta é uma mensagem de solidariedade, uma mensagem de reconhecimento do combate pela liberdade e pelos direitos humanos no Irão”.

A eurodeputada finlandesa do Grupo dos Verdes, Tarja Cronberg sublinha que o Prémio Sakharov já pressionou o regime iraniano e tornou possíveis coisas que antes seriam impossíveis: “Nasrin Sotoudeh, que é advogada de direitos humanos e que estava em greve de fome, exigiu que um inquérito sobre a sua filha fosse concluído e que a criança pudesse viajar. As autoridades iranianas acabaram por aceitar a exigência e Sotoudeh terminou a greve de fome.”

O cineasta francês Costas Gavras, que representou Jafar Panahi na cerimónia em Estrasburgo, mostrou-se particularmente satisfeito pelo prémio atribuído ao companheiro de profissão: “É um prémio para a sua situação- e para também para o seu talento. Para que possa, talvez, ser mais respeitado pelo governo iraniano porque foi condenado a 6 anos de prisão e mais 20 de proibição de realizar filmes, proibição de escrever, interdição de ter qualquer relação com jornalistas e os media. Todos os dias, um polícia pode chegar e levá-lo preso, porque a sentença ainda não é definitiva. Com um prémio como este, será dada uma luz, europeia e quase mundial ao seu caso, que acaba por protegê-lo.”