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Rebeldes ganham terreno na Síria

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Rebeldes ganham terreno na Síria

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Na Síria, os rebeldes parecem cada vez mais próximos da vitória e até os russos começam a admitir essa hipótese, com o enviado especial do Kremlin para o Médio Oriente, Mikhail Bogdanov, a dizer que o regime perde terreno.

Os combates intensificam-se e aproximaram-se da capital, Damasco, nas últimas semanas.

Os rebeldes conseguiram cercar parcialmente a capital. O regime utiliza aviões MIG e helicópteros para bombardear as posições rebeldes.

Imagens, colocadas na Internet pelos rebeldes, mostram rockets lançados a partir do aeroporto militar de Mexxeh, em Deir al Zor. Os Estados Unidos e a NATO acusam o exército sírio de estar a usar mísseis terra-terra Scud, o que Damasco desmente.

Outras imagens, feitas perto da capital, mostram o uso de bombas incendiárias em zonas povoadas, uma acusação apoiada pela Human Rights Watch.

As carcaças encontradas são de bombas de fragmentação, de fabrico soviético, que espalham sub-munições por uma área correspondente a um campo de futebol. Algumas dessas sub-munições podem conter napalm ou outras substâncias incendiárias. A Síria não assinou a convenção de 1980 sobre as bombas incendiárias.

Um dos últimos grandes reveses para o regime de el-Assad foi um atentado com carro armadilhado que matou 16 pessoas, incluindo crianças, em Qatana. Esta cidade, a 25 quilómetros de Damasco, é local de residência de muitos quadros militares, já que há várias bases à volta.

Os edifícios governamentais também não estão a salvo. Um carro armadilhado e várias bombas explodiram frente ao ministério do Interior, em Damasco, junto à linha que separa a zona rebelde e a zona controlada pelo governo.

Isto um dia depois de Assad ter aparecido na televisão, num encontro com educadores islâmicos. São as mais recentes imagens daquele que, em novembro, dizia querer ficar na Síria até ao fim: “Não sou um fantoche, não fui feito pelo Ocidente para ir para um país qualquer. Fui feito na Síria, para viver na Síria e morrer na Síria”

Desde o início da revolta em março de 2011, o conflito custou já 43.000 vidas.

Duplex:

O conflito sírio parece concentrado em Damasco e os combates são cada vez mais intensos. Estaremos a assistir aos últimos dias Bachar Assad.

Christiane Amanpour da ABC obrigada por estar connosco

O Presidente Assad falou de lutar até ao fim, você acha que ele vai realmente agarrar-se e criar um final sangrento?

CA:

Oiça, não há nenhuma indicação de que ele va fazer outra coisa senão lutar. Nenhuma iniciativa para uma transição, para conversar com a oposição, fazer o que a comunidade internacional pediu que foi uma resolução política, nada foi recebido.
Por isso, tudo leva a querer que ele vai lutar e todos acreditam que ele não vai sobreviver no final, mas não parece haver nenhuma indicação real de que ele está perto do fim. E muitos funcionários com quem tenho falado, incluindo autoridades dos EUA, acreditam que não há sinal de que o regime esteja preste a cair, pelo menos para já.

PMCD:

Caso as potências ocidentais se preparem para isso, como devem pensar de agir politicamente, militarmente, não existe um vazio?

CA:
Eu acho que quanto mais tempo o Ocidente e a Comunidade Internacional deixar que a situação se resolva por si, maior será o vazio, que foi preenchido por todos os tipos de grupos rebeldes, mas particularmente por um monte de grupos jihadistas e viu os EUA nomear um deles-Al Nousra como uma organização terrorista na semana passada. O que se vê é que, porque não houve nenhuma intervenção internacional, essas pessoas vieram e encheram aquele espaço.

Eles são disciplinados, eles têm uma missão, eles são lutadores profissionais e eles são árabes de partes muito diferentes daquela região que estão ligados profundamente -. na verdade são parte da Al-Qaeda no Iraque e este é um desenvolvimento muito perigoso e isso aconteceu porque não houve outra intervenção e vieram para reforçar as forças rebeldes. Como que fica resolvido após quedas Assad vai ser a grande questão.

PMCD

E que se teme para a região. O que virá a seguir

CA:

O verdadeiro problema é que o Estados Unidos e do Ocidente não estão no jogo. Em outras palavras, eles não têm ligações reais com as pessoas reais que combatem no terreno. Agora vamos ver o que acontece com este Conselho nova Oposição síria. Eles tentaram unir-se mas no exterior ninguem sabe o que realmente se passa no terreno.
Isso para mim é o mais perigoso. Quanto mais tempo for deixado este vazio menos influência os EUA e Ocidente têm e mais influência os jihadistas, os salafistas e, francamente, os terroristas terão.