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Amr Moussa avisa Morsi de que a reação da oposição será "cada vez mais forte"

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Amr Moussa avisa Morsi de que a reação da oposição será "cada vez mais forte"

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Figura cimeira da oposição egípcia, Amr Moussa, antigo presidente da Liga Árabe e ex-responsável diplomático do país, contesta claramente o projeto constitucional e, até há alguns dias, exigia, pelo menos, o adiamento do referendo. Mas acabou por ir votar. Passamos, agora, um excerto da entrevista que Amr Moussa deu ao jornalista da euronews Mohammed Shaikhibrahim.

Mohammed Shaikhibrahim: Porque é que a oposição não dá ao presidente uma oportunidade para cumprir o seu programa?

Amr Moussa: Estamos dispostos a dar-lhe essa oportunidade mas, de qualquer maneira, ela está prevista nos direitos de que ele dispõe. Morsi é o presidente eleito; mas ainda não vimos nada de concreto, em termos políticos. Não fomos nós que organizamos o referendo constitucional, nem fomos nós que preparamos o projeto de Constituição. Somos simplesmente um grupo de cidadãos organizados em partidos. Mas quem tem a autoridade, quem toma as decisões, é ele. Não estamos a contestar a sua autoridade, estamos a contestar parte das suas decisões, nomeadamente este projeto de Constituição. Estamos disponíveis para ajudar. Apesar de pertencer à oposição, estou disposto a apoiar o projeto democrático, seja o presidente da Irmandade Muçulmana ou não.

MS: Apesar das reticências em relação ao referendo constitucional, grande parte da oposição egípcia foi votar…

AM: Eu fui um deles. Havia duas correntes de opinião: ou boicotávamos ou dizíamos que “não”. A maioria decidiu ir dizer que “não” e eu defendi exatamente isso. Participar e contestar são dois passos muito importantes na construção de uma democracia, no caminho que queremos para o Egito. Se isto voltar a acontecer, mais uma e outra vez, se nos obrigarem a tomar uma posição, se anunciarem decisões que possam prejudicar o país, como este projeto de Constituição, a nossa reação será ainda mais forte. Espero que todos compreendam esta mensagem. O Egito não iria aguentar isso.