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As relações delicadas entre França e Argélia

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As relações delicadas entre França e Argélia

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Visitar a Argélia é norma para os presidentes franceses embora nem todos o tenham feito. Uma visita que tem um cariz de quase obrigação enquanto se tenta passar por cima das questões que tornam esta relação frágil.

No início da era Mitterrand a relação entre os dois países parece de verdadeira lua-de-mel.
Em 2003, Chirac está na presidência. De visita à Argélia assina um acordo para uma parceria de exceção, enterrado em 2005 quando o parlamento reconhece o lado positivo da colonização. Em 2007, Sarkozy volta atrás mas não pede desculpas. Hollande, atual presidente, é também cauteloso nas palavras:

“Estou aqui para que possamos construir uma casa juntos. Perguntem-me qual é a questão mais importante, é o futuro, esta visita é baseada no futuro.”

A mensagem é clara. A página deve ser virada, mas sem mexer no passado. Mas a verdade é que, entre os dois países o que passou não está enterrado. A guerra que matou entre trezentas a quatrocentas mil pessoas do lado argelino e mais de 27 mil soldados franceses mina as relações entre Paris e Argel.

A 17 outubro de 1961, três mil argelinos saíram às ruas de Paris pela independência, dezenas deles foram mortos pela polícia.

Antes de iniciar a sua visita, François Hollande dá um novo tom à questão. Chama-lhe de “repressão sangrenta”. Para alguns é um começo mas não é tudo.

Mas, provavelmente, ainda vai levar anos. França não está pronta. Por isso, avançasse, passo a passo, numa história entre os dois países que têm tanta coisa em comum, incluindo a língua. A questão dos vistos deve revista, particularmente para facilitar as visitas dos argelinos a França.

“Nunca visitei França, tenho 52 anos, nasci em 1962, sou engenheiro, eles recusaram-me o visto na Embaixada de França, não sei porquê”, afirma um argelino.

Num país onde 75% da população tem menos de 40 anos, é uma nova geração que assume, gradualmente as decisões. Uma geração mais preocupada com questões como a económica. Mas a grande maioria dos argelinos são a favor da normalização das relações com a França.