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Oposição egípcia recusa-se a aceitar referendo à Constituição

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Oposição egípcia recusa-se a aceitar referendo à Constituição

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A vitória anunciada pelos islamistas no referendo à Constituição egípcia acalmará a atmosfera tensa da Praça Tharir ou estimulará mais manifestações de rua?

Nada é certo, pelo menos atendendo às cisões criadas pela nova Constituição, redigida por uma assembleia de maioria islamista.

Cerca de dois anos depois da queda de Hosni Mubarak e num clima de grave crise económica, o argumento de um “regresso à calma” seduziu visivelmente os eleitores egípcios, em particular os indecisos.

Os que defenderam o projeto insistem na necessidade e na importância do país ter finalmente uma Constituição, melhor do que anterior.

No entanto, a Frente de Salvação Nacional (FSN), principal coligação da oposição, que reúne os movimentos de esquerda, laicos e liberais, mostrou o desacordo e promete impugnar os resultados do referendo.

‘‘Estamos empenhados em continuar pacificamente a nossa luta coletiva para terminar com esta Constituição por meios legítimos assim que possível, porque não é uma Constituição benéfica para os egípcios”, diz Hamdeen Sabahi, da FSN.

Os opositores dizem que a nova Constituição é rica em ambiguidades e contradições, motivo pelo qual se recusam a reconhecer a legitimidade.

O Partido da Liberdade e da Justiça de Mohamed Morsi congratulou-se com a concretização de feito que dizem ser “histórico”. O presidente assegura que esta é chave para estabilizar a economia egípcia e terminar com os confrontos.

O guia espiritual da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badía, apelou à resolução das diferenças em nome de um diálogo construtivo, livre de balas e pedras.

Na sexta-feira passada, véspera da segunda volta do escrutínio, confrontos entre defensores do “sim” e do “não” deixaram as ruas de Alexandria manchadas com dezenas de feridos.