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China reforça combate ao tráfico de crianças

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China reforça combate ao tráfico de crianças

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O balanço de uma megaoperação de combate às redes de tráfico de crianças na China revela números negros de uma realidade que parece estar longe de ter os dias contados.

Ao todo foram resgatadas 89 crianças e detidos 355 suspeitos, no âmbito de uma operação que arrancou a 18 de dezembro.

As autoridades passaram a pente fino nove províncias.

“O objetivo desta operação foi resgatar as crianças raptadas, deter os suspeitos envolvidos e esmagar a rede criminosa”, explicou Liu Ancheng do Ministério chinês da Segurança Pública.

A polícia vai agora recolher amostras do ADN das crianças para encontrar os país. Um percurso possível graças a uma base de dados genéticos desenvolvida para combater o tráfico de crianças.

Até ao derradeiro encontro com os pais, as crianças são instaladas em jardins-de-infância e centros sociais.

Em março, numa outra operação, 77 crianças tinham sido libertadas, e 310 traficantes foram detidos em 14 províncias.

A estatística do Ministério chinês da Segurança Pública deixa entender a escala do problema. Desde abril de 2009, a polícia desmantelou 11 mil redes de tráfico de crianças e salvou mais de 54 mil vítimas.

Os especialistas dizem que a política do filho único na China explica esta realidade. Introduzida em 1979, permitiu, pelo menos de acordo com Pequim, evitar o nascimento de 400 milhões de bebés nas últimas três décadas.

Mas criou também a oportunidade de um negócio de milhões. Uma criança comprada numa província pobre por cerca de 3500 euros pode ser rentabilizada e vendida a preços bem mais elevados nas províncias ricas.

“Vamos cooperar com departamentos importantes para adotar medidas de reforço à sanção dos compradores de crianças raptadas. Uma maneira de tentar inverter a tendência dos números”, revela Chen Shiqu, do departamento de combate ao tráfico do Ministério chinês da Segurança Pública.

O executivo chinês admite alterar a política de filho único, de forma a contrariar o rápido envelhecimento do país mais populoso do mundo.

Os críticos alegam que a competitividade da economia será afetada se tudo continuar na mesma.