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Proibição de adoções por americanos causa polémica

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Proibição de adoções por americanos causa polémica

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A lei aprovada pelo Parlamento russo chama-se Dima Yakovlev, nome de um menino adotado por uma família norte-americana. A criança russa morreu, esquecida pelo pai adotivo dentro do automóvel.

A Rússia responde com este texto à lei Magnitsky, que prevê sanções para russos acusados de violações dos Direitos Humanos. “A lei Dima Yakovlev é uma resposta emocional à lei Magnitsky, que viola várias normas internacionais e é uma resposta adequada da Federação Russa”, frisa Ruslan Gattarov, membro do Senado.

A proposta de lei provocou reações de reprovação na Rússia, inclusive de membros do Governo, como os ministros da Educação e dos Negócios Estrangeiros e da vice-primeira-ministra.

Os cidadãos, como Vyacheslav, também criticam: “Sou contra isso. As crianças não devem ser envolvidas. O facto de os nossos oficiais serem proibidos de entrar nos Estados Unidos não tem a ver com as crianças”.

O presidente tem agora 15 dias para promulgar a lei. Na conferência de imprensa anual, Putin sugeriu que as famílias russas substituam as americanas: “A vasta maioria dos cidadãos russos tem uma opinião muito negativa acerca da adoção de crianças por estrangeiros. Temos de ser nós a fazê-lo. Temos de estimular a adoção de crianças orfãs ou abandonadas”.

Segundo a UNICEF, em 2010, a Rússia tinha 740 mil crianças orfãs. 45 mil crianças encontraram um lar nos Estados Unidos desde 1991.

“Apenas aquelas crianças que foram recusadas pelos russos são enviadas para a América. Não é um segredo que a maior parte das crianças é adotada por pessoas nos Estados Unidos. Não quero imaginar quem vai levar as crianças que, de outra forma, ficarão aqui. Penso até que isto vai levar a uma crise sistémica. Tanto quanto eu sei, quando tivemos uma proibição temporária de adoções no passado, os hospitais estavam cheios e não havia espaço em orfanatos e hospitais para crianças”, afirma Galina Sigayeva, representante de uma agência de adoção.

Aos que apontam o número de crianças russas adotadas que morreram nos EUA, as ONGs respondem com o número superior de crianças adotadas por famílias russas que perderam a vida.