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O fim conturbado de Hillary Clinton na Casa Branca

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O fim conturbado de Hillary Clinton na Casa Branca

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Hillary Clinton está prestes a passar a pasta de secretária de Estado norte-americana. Os últimos dias em funções estão a ser, porém, conturbados e não por questões diretamente de agenda. A chefe da diplomacia dos Estados Unidos está internada desde esta segunda-feira, na sequência de um problema de saúde que degenerou num coágulo sanguíneo e que a irá obrigar a fechar 2012 internada num hospital.

No início de dezembro, Hillary Clinton iniciou na Republica Checa uma digressão europeia. Seria a última da sua passagem pela Casa Branca como secretária de Estado da administração Obama. A 3 de dezembro desembarcou, pelas 2 horas da manhã, na Republica Checa. Três dias depois estava em Dublin e dali seguiria para Belfast.

Nesta digressão, a secretária de Estado norte-americana contraiu um vírus gástrico. Ficou debilitada e, como consequência, teve uma queda e contraiu um traumatismo craniano. Foi aconselhada a ficar em casa e foi de lá que prosseguiu o trabalho, enquanto era observada regularmente.

Num exame recente, os médicos identificaram um coágulo sanguíneo. Desde esta segunda-feira que Hillary Clinton está internada no Hospital Presbiteriano de Nova Iorque. As ordens são para apenas retomar o trabalho daqui a alguns dias.

Foi a 1 de dezembro de 2008 que Barack Obama nomeou Hillary Clinton como secretária de Estado.

Uma surpresa. Os dois tinham travado uma dura batalha para liderar os democratas nas presidenciais. Ele foi mais forte e acabou por ganhar mesmo a Casa Branca. Ela acabou por tomar posse como secretária de Estado em janeiro de 2009. Pouco depois, já se reunia Serguei Lavrov, então ministro russo dos Negócios estrangeiros: Reatar e reforçar os laços com a Rússia era uma prioridade na agenda da senhora Clinton.

Há quatro anos, aliás, que a agenda da secretária de Estado aparenta ser hiperativa. Um ritmo intenso que durou há três semanas devido aos citados motivos de saúde.

Na passagem prestes a terminar de Hillary Clinton pela administração Obama, outro dossiê assumiu contornos prioritários: a paz entre Israel e a Palestina, processo que havia sido abandonado pela administração Bush. A chefe da diplomacia norte-americana reuniu-se com Benjamin Netanhyhau, primeiro-ministro israelita, em setembro de 2010.

As chamadas primaveras árabes entraram de rompante, em 2011, na agenda dos Estados Unidos. Tunísia, Líbia, Síria. Em março de 2011, Hillary Clinton passou pela Praça Tahrir, símbolo da revolução egípcia. Quatro meses depois, reunia-se com Mohamed Morsi, recém-eleito presidente do Egito e um dos novos homens fortes do Médio Oriente. Nas ruas, alguns egípcios manifestavam-se contra a presença no Cairo da diplomata norte-americana.

Houve toda uma estratégia dos Estados Unidos que teve de ser repensada o Médio Oriente e a região do Magrebe.

Uma das fotos que marcam os 4 anos de Hillary Clinton na Casa Branca é a que mostra a reação da secretária de Estado enquanto observava, via vídeo satélite, à operação militar, no Paquistão, que levou à captura de Osama Bin Laden.

Houve, porém, outros momentos mais felizes, como, por exemplo, o encontro em setembro passado com San Suu Kyi. A ativista pela democracia na Birmânia, Nobel da paz em 1992, recebeu, em Washington, a medalha de ouro do Congresso norte-americano, uma das mais altas condecorações civis dadas pelos Estados Unidos.

Os últimos meses, porém, foram ensombrados pelo ataque de setembro ao consulado norte-americano em Benghasi, na Líbia, que vitimou o embaixador Chris Stevens. Há mais de 30 anos que uma embaixada dos Estados Unidos não era atacada. Hillary Clinton assumiu a responsabilidade.

Embora mantenha a popularidade em alta um pouco por todo o Mundo, Hillary Clinton está decidida a sair de cena e ja fez saber a Obama que não está disponível para se manter no cargo neste segundo mandato dos democratas na Casa Branca. O presidente norte-americano já anunciou, inclusive, John Kerry como sucessor.

Hillary quer voltar ao anonimato e nem pensa, já o garantiu, ser de novo, em 2016, candidata à Casa Branca. Para já, o que mais deseja para 2013 será mesmo sair do hospital totalmente recuperada.