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O "peso" do precipício nas carteiras americanas

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O "peso" do precipício nas carteiras americanas

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É no interior do Senado norte-americano que se tem discutido o futuro da maior economia do Mundo. O famoso precipício fiscal é o final indesejado por 90 por cento de alto dos americanos numa novela política que dura há já muito tempo.

Falta acordo entre os Democratas de Obama e os Republicanos, que dominam o Congresso. As diferenças de posição entre os cortes na despesa e aumento de impostos é o caminho para o tal precipício, que mais não é do que uma consequência prevista na lei e que impõe automaticamente um plano de recuperação do défice. É um plano que, segundo os especialistas, ameaça afundar os norte-americanos numa recessão em 2013. E o resto do Mundo por arrasto.

Se os democratas de Obama e os Republicanos não chegarem a acordo, o défice (diferença entre receitas e despesas do Estado) pode ultrapassar o bilião de dólares (cerca de 760 mil milhões de euros). Com o “precipício” em marcha, esse défice poderá ser reduzido para 600 mil milhões. A redução de 430 mil milhões seria resultado de cortes na despesa e aumento de impostos sobre toda a população: ricos e pobres.

As medidas do “precipício” estima-se que possam custar 2000 a 3500 dolares (1500 – 2600 euros) por ano a uma família americana de classe média. Mas não se extingue aí a queda dos americanos no precipício. 300 mil milhões da redução do défice são recuperados através dos impostos e outros 100 mil milhões terão origem nos cortes na despesa pública, metade dos quais na Defesa.

O resto destes 100 milhões terá origem nos programas sociais e terá impacto, especialmente, sobre os americanos mais desfavorecidos. As prestações de desemprego terão de ser revistas pelo Governo, os americanos poderão ter de pagar mais pela Segurança Social e o orçamento da Saúde também terá de ser reduzido.

A austeridade imposta pelo precipício fiscal pode ajudar no abate do défice, mas terá ainda outros impactos muito negativos. O PIB deverá descer 4 por cento, a economia entra em recessão e o desemprego poderá subir até aos 9 por cento. Tudo isto representa um forte choque na economia norte-americana, que poderá afundar-se numa forte recessão nos primeiros meses do novo ano. O que, por fim, pode resultar numa reação extremamente negativa dos mercados e com ela arrastar para o precipício toda a economia Mundial.