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O que vai ficar para a História em 2012?

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O que vai ficar para a História em 2012?

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Uma coluna de fumo ergue-se sobre Damasco, depois de mais um atentado. Foi em janeiro de 2012 e o regime sírio já se debatia após meses de confrontos. O balanço de vítimas aumenta todos os dias.

O jornalista François Chignac preparou uma passagem em revista pelos acontecimentos mais marcantes de 2012. Começamos pelo capítulo sírio.

O ano de 2011 terminou sob o signo da violência. O banho de sangue continuou. Veja-se o massacre de Houla: 108 mortos num ataque, quase metade crianças. A condenação internacional não surtiu grande efeito. O conflito não abrandou, mesmo apesar dos alertas dos aliados de Bashar al-Assad, sobre o princípio do fim. Os refugiados não páram de se precipitar para as fronteiras. Os islamistas radicais reforçam as fileiras dos insurgentes, cada vez mais armados.

Depois da Tunísia, o Egito. Dezasseis meses após a revolução, Mohammed Morsi foi eleito presidente, vinte dias a seguir à condenação de Hosni Mubarak a prisão perpétua. Perante todos os desafios económicos, sociais, religiosos e políticos, Morsi incendiou os ânimos da oposição: desmembrou o Conselho Militar, a procuradoria-geral, e tentou reforçar os seus próprios poderes. Os confrontos rebentaram. A Praça Tahrir voltou a ser palco de manifestações que se estenderam até ao palácio presidencial. Muitos falam num retrocesso.

Prosseguimos na Primavera Árabe, com a Líbia. As novas autoridades exigiram o desarmamento das milícias, que resistiram. Pela primeira vez em sessenta anos, organizaram-se eleições. Os liberais ganharam, gerando inúmeras expetativas. Mas, a 11 de setembro, quatro representantes americanos, entre os quais o embaixador Christopher Stevens, foram mortos num ataque ao consulado em Benghazi. O espetro da Al-Qaeda ensombrou o novo poder líbio.

Não muito longe da Líbia, no Mali, um golpe de Estado destituiu o presidente. Os rebeldes tuaregues exigiram a secessão do norte do país. Mas é uma região também ocupada pelos islamistas radicais, que impuseram a sharia, a lei islâmica, e destroem os mausoléus de Tombouctou, património mundial da Humanidade. Um conjunto de países africanos planeia uma intervenção militar em 2013.

Vários países elegeram governos de raíz islâmica. Depois da Primavera Árabe, surgiram receios sobre a disseminação de um fundamentalismo religioso tão autoritário quanto as ditaduras derrubadas. A violência eclodiu no mundo árabe por causa de um filme amador considerado anti-Islão.

O homicídio de Ahmed Jaabari, chefe militar do Hamas, marcou o início de uma ofensiva israelita que durou oito dias. A operação “Pilar de Defesa” dirigiu-se ao coração do movimento no poder em Gaza. Mas este acabou por sair reforçado do conflito, sobretudo no plano diplomático.

A assembleia da ONU reconheceu o Estado da Palestina, uma espécie de certidão de nascimento 65 anos depois. Em Ramallah, a decisão foi acolhida em euforia.

Do outro lado do Mediterrâneo, um gigantesco navio de cruzeiro fez uma incompreensível aproximação à costa e colidiu com os rochedos ao largo da ilha italiana de Giglio. A evacuação do Costa Concordia foi caótica. Balanço: 32 mortos, entre os quais dois desaparecidos. O navio naufragado continua no local. O capitão é o principal acusado num processo que se anuncia longo.

A Rússia elegeu um novo presidente, para suceder a Dmitri Medvedev. Vladimir Putin, que já tinha ocupado essa função entre 2000 e 2008, candidatou-se pelo Rússia Unida. Foi reeleito com mais de 60% dos votos, na sequência de um escrutínio amplamente contestado, até muito depois de ter decorrido.

Uma tragédia na Suíça. No dia 13 de março, um autocarro com 46 crianças despistou-se contra o muro de um túnel. Vinte e oito vítimas mortais, entre as quais vinte e duas crianças. Foi um dos mais graves acidentes rodoviários de sempre no país.

Em oito dias, Mohamed Merah matou sete pessoas no sul de França: três militares, um professor e três crianças da escola judia de Toulouse. Acabou por ser morto durante um longo cerco ao seu apartamento, mas deixou uma grande questão: como é que conseguiu, durante tanto tempo, iludir as autoridades e semear o terror?

Em abril, uma mulher figurava entre os deputados birmaneses. Aung San Suu Kyii prestou juramento, assinalando uma nova etapa num longo caminho rumo à democracia. No final de junho, numa visita à Europa, recebeu finalmente em pessoa o Prémio Nobel da Paz, atribuído há 21 anos.

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