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Irlanda do Norte: O conflito interminável


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Irlanda do Norte: O conflito interminável

Os confrontos regressaram a Belfast no passado dia 3 de dezembro. Motivo: a bandeira do Reino Unido. A câmara municipal decidiu que a ‘union jack’ passaria a ser hasteada apenas 20 dias por mês, um sacrilégio para os unionistas.

A Irlanda do Norte está oficialmente em paz desde 2007, mas a violência nunca parou verdadeiramente.

O acordo de paz, assinado em abril de 1998, demorou quase 10 anos a ser implementado. Foi necessária uma década para desarmar as milícias. Mudar as mentalidades é bastante mais difícil. Unionistas protestantes e católicos nacionalistas confrontam-se regularmente.

Oficialmente, o conflito remonta aos anos 60 mas as suas raízes são bem mais antigas e as paradas anuais dos dois campos comemoram eventos que remontam aos anos 20 do século passado e à divisão da ilha. A guerra civil, que começou em 1969, só serviu para que se extremassem posições.

As gerações mais novas não viveram o conflito, mas a divisão continua bem presente nos espíritos e os extremistas continuam a ter voz.

“O IRA vai continuar a atacar as forças da coroa, o seu pessoal, as suas instalações, bem como os interesses e infraestruturas britânicas”, afirma um encapuzado num comício dos nacionalistas.

Uma nova geração de militantes nacionalistas viu a luz do dia. Dissidentes do IRA, como se designam, afirmam estar prontos a retomar as armas para se livrarem, de uma vez por todas, dos britânicos.

Um ciclo vicioso interminável que, regularmente, mina os esforços de apaziguamento de britânicos e irlandeses do norte, unidos no seio do governo: O primeiro-ministro Peter Robinson, sucessor do reverendo Paisley e Marti McGuiness, ex-membro do IRA e responsável do Sinn Fein.

A polícia desconfia do envolvimento de organizações paramilitares britânicas nos confrontos dos últimos dias.
Os protestantes de Belfast não perderam apenas o voto sobre a bandeira ou a maioria na câmara, a comunidade está em declínio há vários anos e é hoje quase igual à católica: 48% de protestantes e 45% de católicos.

Na maioria dos casos desempregados, os jovens acham que não têm nada a perder e retomam velhos reflexos do passado, mais por causa do tédio do que por uma convicção real, enquanto a maioria da população só quer viver em paz.

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