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Inverno: Arma mortal para as vítimas da guerra na Síria

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Inverno: Arma mortal para as vítimas da guerra na Síria

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Não bastasse a fúria dos homens, a chegada implacável do inverno agrava ainda mais a crise humanitária vivida, há quase dois anos, por milhões de pessoas na Síria e nos campos de refugiados em países vizinhos.

O conflito fez praticamente 60 mil mortos até novembro do ano passado, segundo os dados oficiais das Nações Unidas.

Os bombardeamentos fazem parte do quotidiano dos habitantes de cidades como Aleppo ou Homs. O eco dos combates materializa-se na destruição visível em certos bairros de Damasco.

A calamidade alarga-se com a chegada do frio e os problemas graves de aprovisionamento para acodir às vítimas desta guerra.

Pão, água, combustível, quase todos os bens essenciais escasseiam. As organizações humanitárias não conseguem satisfazer as necessidades nem chegar a todos os que precisam de ajuda urgente. Estão nessa situação cerca de 2,5 milhões de pessoas na Síria, a que se junta mais um milhão a quem não é possível fazer chegar qualquer apoio.

A situação na região deteriora-se rapidamente, alerta a ONU que, através do Alto Comissariado para os Refugiados, renova os pedidos de ajuda à comunidade internacional. Apelos reiterados pelos países que acolhem os mais de 500 mil refugiados da guerra na Síria. Todos os dias, em média, 3000 pessoas engrossam as cidades improvisadas que nasceram na raia do Iraque, da Turquia, do Líbano ou da Jordânia. Isto sem contar com os 2,5 milhões de deslocados dentro das fronteiras sírias.

Com a chegada das intempéries e do frio multiplicam-se os relatos do drama na primeira pessoa, como neste campo de refugiados no Líbano:

‘‘Não temos um aquecedor, fazemos uma pequena fogueira e reunimo-nos à volta. Embrulhamo-nos em cobertores, mas posso jurar-vos que faz muito frio. Ontem não conseguimos dormir com o frio, o vento e a chuva a cair-nos em cima”, afirma um homem com dois filhos no colo.

“As crianças estão a morrer de frio, de fome, de sede”, lamenta uma mãe.

Enregelados, sem água, sem eletricidade, muitas vezes sem comida ou assistência médica, milhões de pessoas aguardam desesperadamente por ajuda.

Se as bombas não as mataram, a natureza tratará disso, afirmam muitos refugiados hoje em dia.