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Rivais palestinianos a caminho da reconciliação

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Rivais palestinianos a caminho da reconciliação

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É a imagem da reaproximação recente entre as duas principais fações palestinianas, unidas em torno do sonho, cada vez mais real, da criação de um Estado. Em janeiro, a Fatah festeja o 48º aniversário em Gaza. Pela primeira vez desde 2007, o Hamas autoriza celebrações do movimento rival na Faixa de Gaza, território governado pelos islamitas.

O impasse nas negociações de paz com Israel e os bombardeamentos da operação “pilar de defesa”, acabaram por reforçar visivelmente os laços entre os dois partidos palestinianos.

A partir de Ramallah, através da televisão, o presidente Mahmud Abbas apela a todos os palestinianos para trabalharem “unidos, em conjunto” porque “não há melhor opção do que a unidade” para “concretizar os objetivos nacionais e alcançar a vitória”.

A mesma vontade é expressa pelo movimento islâmico que, através de um porta-voz, classifica o momento de “sucesso tanto para o Hamas como para a Fatah”, considerando que “a atmosfera positiva é um passo significativo para alcançar a unidade palestiniana”.

Há uma sintonia no objetivo de virar a página sangrenta aberta em junho de 2007, ano em que as rivalidades e divisões profundas entre Hamas e Fatah eclodiram violentamente na Faixa de Gaza. Chegou a falar-se duma guerra civil em que o Hamas acaba por conquistar todos os bastiões da Fatah no território.

A primavera árabe, em 2011, vem alterar os dados. O líder político do Hamas, Khaled Mechaal troca o exílio em Damasco pelo Cairo. Na capital egípcia as fações palestinianas assinam um acordo de reconciliação. Recomeça o processo de enterrar o machado de guerra. Mechaal encontra-se com Abbas e assegura que o tempo das divisões acabou:

“Em nome do Hamas quero anunciar que estamos prontos e decididos a pagar o preço que for necessário em nome da reconciliação. Queremos que o texto do acordo se transforme em realidade”.

A elevação da Palestina ao estatuto de Estado observador nas Nações Unidas, no final do ano passado, subiu a moral dos palestinianos e serviu para reaproximar Fatah e Hamas, unidos na esperança que a criação de um Estado deixe de ser uma quimera.