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Estados Unidos e Venezuela preparam futuro pós-Chávez

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Estados Unidos e Venezuela preparam futuro pós-Chávez

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O futuro das relações entre Washington e Caracas é um mistério quase tão grande como o real estado de saúde do presidente da Venezuela. Mas independentemente do que acontecer a Hugo Chávez, os Estados Unidos vão querer garantir que o petróleo continue a chegar e evitar a todo o custo que o país da América Latina mergulhe no caos.

O presidente da associação para o Diálogo Interamericano refere que a Venezuela é “um país muito polarizado, onde existe muita desconfiança, muito rancor e no caso de Chávez morrer, pode emergir uma enorme luta pelo poder”. Nesse caso, afirma Michael Shifter, “as forças armadas terão, provavelmente, um papel muito importante a desempenhar”.

Promover a estabilidade política do quarto maior fornecedor de petróleo dos Estados Unidos é naturalmente uma prioridade para Washington, mas também uma necessidade de Caracas.

Segundo um analista, os Estados Unidos acompanham com interesse “o evoluir da situação” e querem continuar a estar “envolvidos e assegurar que a transição democrática na Venezuela seja consolidada”.

Paralelamente aos discursos antiamericanos de Chávez, a Venezuela continuou a exportar para os Estados Unidos, apesar das conturbadas relações diplomáticas entre os dois países nos últimos anos.

Michael Shifter explica precisamente que “o petróleo continua a fluir da Venezuela para os Estados Unidos” porque a Venezuela precisa disso para “sustentar a sua economia. Sob a liderança de Chávez, a economia venezuelana continuou a ser muito dependente do petróleo, tal como antes, e os Estados Unidos são o principal consumidor, o principal mercado”, apesar de Caracas ter “tentado diversificar” os seus parceiros. Com este cenário tudo parece “jogar a favor” de Washington, conclui o analista.

O Departamento de Estado já confirmou que tem mantido contactos, nomeadamente com o vice-presidente Nicolás Maduro, no sentido de normalizar as relações com Caracas após 14 anos em que Chávez defendeu uma América Latina livre da influência dos Estados Unidos e forjou alianças com alguns dos inimigos viscerais da América.

“Chávez teve uma retórica muito agressiva contra os Estados Unidos e os Estados Unidos criticaram, obviamente, alguns aspetos da governação de Chávez. As relações têm sido frias, mas subjacente a isto tem estado sempre o desejo da parte dos Estados Unidos de comunicar com a Venezuela e estabelecer relações normais” entre os dois Estados, esclarece um analista.

Venezuela e Estados Unidos foram íntimos aliados até à chegada de Chávez ao poder e agora, que este parece estar de partida, surge a oportunidade de restabelecer esses laços.

A administração Obama prepara já a era pós-Chávez, apesar do Departamento de Estado manter um perfil discreto. O primeiro passo pode ser tão simples como voltar a dar vistos a embaixadores dos dois países e devolver um verdadeiro sentido ao edifício que serve de embaixada à Venezuela, em Washington.