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Missão francesa contra jihadistas no Mali

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Missão francesa contra jihadistas no Mali

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A operação “Serval”, dirigida pelo Exército francês contra os islamistas no norte de Mali, entra em nova fase. Apesar das operações aéreas continuarem, o destacamento no terreno lança uma ofensiva: 800 soldados franceses estão no Mali, a longo prazo serão 2.500.
O presidente francês, François Hollande reiterou, na terça-feira, o objectivo:

François Hollande:

“A missão não está concluída. Recordo que é preciso preparar o destacamento de uma força de intervenção africana para que o Mali recupere a integridade territorial, segundo as resoluções do Conselho de Segurança”

Paris pretende transferir o comando da missão o mais rapidamente possível para uma força africana prometida pelos países da CEDAO. Mas a entrada em cena dessas tropas, formadas por 3000 soldados treinados pela UE, pode demorar.

A CEDAO comprometeu-se com Bamako em novembro.

Kadré Désiré Ouédraogo, presidente da comissão ECOWAS:

“Mais do que nunca, a CEDAO deve mobilizar-se e alinhar com o Mali para ajudar o país a defender a integridade territorial, desmantelar as redes terroristas e criminosas e restablecer totalmente a autoridade do Estado.”

Essas redes são formadas por combatentes islamistas, entre 800 e 1.200 segundo os norte-americanos, o dobro, segundo a CEDAO, que se distribuem por três grupos: AQMI, cujo feudo é Tombuctu, Ansar Dine com base em Kidal e MUJAO que controla a cidade de Gao.

A ofensiva lançada na semana passada pelos islamistas, que precipitou os raides aéreos franceses, mostrou que estes três gripos se uniram para enfrentar a intervenção estrangeira – aliás, sempre mantiveram relações estreitas.

O Ansar Dine foi fundado pelo líder tuaregue do Mali, Iyad Ag Ghali, que se radicalizou na Arábia Saudita e marginalizou os antigos aliados separatistas do Movimento de Libertação de Azawad.

Segundo Michel Douti do Senegal – Open Society Iniciative For West Africa (OSIWA) – não há diferenças entre os movimentos:

“Quem pode ver as diferenças entre AQIM e MUJWA quando ambos querem impor a Sharia, a lei islâmica? É uma questão de cor da pele? Porque o que constatamos é que os combatentes do MUJWA procedem maioritariamente de os países da África ocidental, principalmente da Nigéria, do Benim e do Togo”.

Tem-se observado com preocupação a emergência de um “jihadismo negro” por oposição ao jihadismo argelino de Aquim.