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Direita israelita

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Naftali Bennet tem 40 anos, quatro filhos, é milionário e foi uma surpresa no panorama da política israelita.

O antigo chefe de gabinete de Benyamin Netanyahu foi eleito, em novembro, líder do partido religioso de defesa dos colonos Bayit Yehudi (Casa Judaica), mostra sem ambiguidades a oposição à criação de Estado palestiniano.

Naftali Bennett, líder do Bayit Yehudi:

“Antes de tudo, antes de pensar em anexação, temos de mudar a posição de Israel e do mundo relativamente à criação de um Estado palestiniano e só depois, gradualmente, aplicar a lei de Israel nas zonas israelitas da Judeia e de Samaria.
Penso que, às vezes, a sabedoria popular se equivoca, e acho que este é um desses casos. Estamos todos no mesmo autocarro, toda a comunidade internacional, e vamos direitos a um beco sem saída”

Bennett defende a anexação de 60% da Cisjordânia e da atribuição da nacionalidade israelita aos palestinianos que aí vivam. Os dois milhões e meio de palestinianos restantes teriam de se conformar com a autonomia.

Um discurso bem acolhido pelos cerca de 800 colonos judeus de Hebron que coabitam com 200 mil palestinianos residentes na cidade onde se encontra o túmulo dos patriarcas Abrahão, Isaac e Jacob e das suas mulheres, e também a mesquita de Ibrahim, palco frequente de confrontos entre palestinianos e colonos judeus.

Haim Bleicher, colono judeu:

“As pessoas estão menos eufóricas e compreendem que até agora viveram na ilusão de podermos dar armas aos palestinianos e de eles poderem governar em troca de paz. Mas só vai haver paz se acreditarmos nos nossos direitos sem recuar”.

Outro partido de direita, o ultraortodoxo Shas, beneficia do apoio da comunidade de judeus originários do Médio Oriente.

Nomeou líderes de vários executivos e conseguiu recuperar para a política o carismático Aryeh Deri, afastado há 13 anos.

Deri tinha sido condenado a três anos de prisão por corrupção, mas saiu em liberdade condicional em 2002. Foi membro do Governo de Isaac Rabin, em 1992, e apoiou os Acordos de Oslo.

Conhecido pelo carisma e habilidade, Deri é visto como uma pomba neste partido ultraortodoxo. O seu regresso pode aumentar os votos do Shas que, com Eli Yishai tinha descido para 12 assentos parlamentares.
Membro do gabinete de Netanyahu, Yishai é considerado o falcão, mesmo se não recusa o princípio “de paz em troca de terras” com os palestinianos. No entanto, não põe sequer em causa tocar no estatuto de Israel.