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"Cameron quer jogar râguebi com uma equipa de futebol"

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"Cameron quer jogar râguebi com uma equipa de futebol"

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O tão aguardado discurso de David Cameron sobre a União Europeia, acabou por provocar o efeito esperado junto dos outros países da União.

Entre prudência e condenação, as reações sucedem-se, sublinhando a forma como as propostas do primeiro-ministro se referem mais à política interna britânica do que ao debate sobre o futuro da Europa.

Para o presidente do parlamento europeu, Martin Schultz, “não se trata do princípio do fim da União, mas talvez do princípio do fim de David Cameron. Tenho a impressão de que este discurso se dirige mais aos conservadores britânicos do que à União Europeia. Um primeiro-ministro que diz que vai convocar um referendo, mas só após as próximas eleições, tem os olhos postos nas eleições e não no referendo. Penso que a atitude de Cameron é inaceitável”.

Na Alemanha, a chanceler Angela Merkel mostra-se mais prudente, estando pronta a desempenhar o papel de árbitro com Londres, depois de ter defendido igualmente reformas profundas na União Europeia e no eurogrupo.

“Quando se trata de defender os seus próprios interesses, claro que cada membro da União Europeia, tem os seus próprios interesses, mas é importante encontrar um compromisso justo. Neste contexto estamos preparados para discutir as propostas britânicas, mas tendo sempre em mente que outros países podem ter propostas diferentes e que é preciso encontrar um compromisso”.

Prudência, também do lado francês, mas com alguma ironia, por parte do ministro dos negócios estrangeiros.

Para Laurent Fabius, “não se pode ter uma Europa por encomenda. Vou fazer uma comparação que os nossos amigos britânicos poderão compreender. Imaginem que a Europa é um clube de futebol, quem entra no clube não pode, de um momento para outro, querer jogar râguebi”.