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Croatas dizem não à introdução do alfabeto cirílico

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Croatas dizem não à introdução do alfabeto cirílico

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Foram cerca de 200 mil, os manifestantes provenientes dos quatros cantos da Croácia que se juntaram no centro de Vukovar, junto à fronteira com a Sérvia, para protestar contra uma decisão das autoridades de utilizar o alfabeto cirílico.

Zagreb aprovou uma lei que prevê a adoção do alfabeto cirílico, utilizado pelos sérvios, em localidades, onde a minoria sérvia representa um terço da população.

“Não aguento isto. Nem sequer consigo olhar para os sérvios e agora querem utilizar o cirílico aqui? Eles derramaram o sangue dos nossos filhos, dos nossos homens. Os nossos vizinhos. Não gosto nada deles. Se não tivessem matado pessoas podiam viver aqui sem problemas”, afirma Mara Jurcic, mãe de uma vítima de guerra.

Nino, habitante de uma localidade perto de Vukovar, defende que “não é correto introduzir o cirílico. Pelo menos no futuro próximo, até que as feridas de guerra sarem, se um dia puderem sarar.”

A impopularidade da medida deve-se ao facto de os croatas utilizarem o alfabeto latino como símbolo da independência do país em relação à Sérvia, onde o alfabeto utilizado é o cirílico.

Depois da proclamação da independência da Croácia da ex-Jugoslávia, grupos secessionistas sérvios apoiados pelo regime de Belgrado e pelas forças federais, lançaram uma campanha militar contra Vukovar em agosto de 1991.

Em poucos meses, 1600 pessoas perderam a vida, 1100 das quais eram civis, e perto de 20 mil croatas foram expulsos da cidade. Os bombardeamentos sérvios destruíram a cidade quase por completo.