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FIAT, um espelho da economia italiana?

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FIAT, um espelho da economia italiana?

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A produtividade e a competitividade são temas centrais da crise italiana. A indústria tem vindo a ser afetada por quebras no crescimento económico e na produtividade. O setor industrial está a passar por uma das piores fases de sempre. O sistema político não conseguiu fazer as reformas sociais e económicas necessárias para inverter esta tendência negativa. Este é um grande desafio para o governo que sair das próximas eleições.

A FIAT é um dos gigantes mundiais do setor automóvel e está a tentar ultrapassar a crise, enfrentando os desafios da internacionalização da economia. O grupo italiano está a meio de um processo de fusão com a norte-americana Chrysler e ao mesmo tempo a investir em fábricas no estrangeiro.

Pode isso influenciar outras empresas e será que é positivo para os italianos?

Muitos empregados da Fiat temem que isto signifique mais deslocalizações e o fecho de fábricas em Itália.

Estamos em Melfi, uma pequena cidade do sul onde está instalada uma fábrica da FIAT. A empresa adotou um plano de redução de custos, que corta os horários de trabalho e os salários a cerca de 5500 trabalhadores.

Para a empresa, esse é o preço a pagar pela maquinaria necessária para a produção dos novos modelos. Para o sindicato dos metalúrgicos, estas medidas significam que, mesmo se a fábrica não fecha, muita gente vai perder o emprego.

“Há o perigo de a atual capacidade, de 400 mil carros feitos por 5500 trabalhadores, ser drasticamente reduzida, devido às novas linhas de produção. Até porque o acordo sobre a redução de custos não especifica que os trabalhadores tenham o trabalho garantido no fim deste período de 24 meses”, estima o sindicalista Emanuele De Nicola.

Os níveis de produtividade em Itália estão entre os mais baixos, segundo a OCDE. A administração culpa, muitas vezes, a resistência dos sindicatos face às reformas laborais, enquanto os sindicatos culpam a falta de projetos a longo prazo por parte das empresas italianas. Há 20 anos que os governos falham nas políticas económicas: “Pensámos que a globalização seria fácil para os países desenvolvidos. A Itália estava entre esses países, éramos o sexto ou sétimo país mais industrializado do mundo. Pensávamos que os países emergentes iriam produzir só bens de fraca qualidade e não conseguiriam chegar aos padrões tecnológicos que nós, na Europa, temos. Esse foi o erro, pensámos a curto prazo. Sem um projeto detalhado sobre o futuro da indústria automóvel, esses países são os beneficiados com o fecho das linhas de produção em Itália. Por exemplo, na Sérvia estão a fazer um modelo que poderia ser produzido em Itália”, diz o historiador económico Valerio Castronovo.

A FIAT investiu na Sérvia, ao transformar a antiga fábrica da Zastava em Kragujevac numa fábrica inovadora. Esta unidade funcionou até 2008 e sobreviveu aos bombardeamentos de 1999.

Aqui, estão a ser produzidos FIAT 500 para o mercado global, tal como os novos modelos de sete lugares para o mercado norte-americano.

Encontrámo-nos com dois trabalhadores, pai e filho: “Quando comecei a trabalhar para a Zastava, fazia muito frio, o trabalho era duro. Depois, a FIAT chegou e mudou tudo. As salas de trabalho ficaram mais claras, foi tudo remodelado, ficou mais aquecido e passei a ir para o trabalho sabendo que não iria ter frio no trabalho”, conta o pai, Goran Ostajić.

Já para o filho, Aleksandar, este emprego é uma promessa de futuro: “É um trabalho seguro, que nos permite fazer planos para o futuro. Comecei a trabalhar para a FIAT pouco depois de ter acabado o liceu e desde então que estou a trabalhar aqui”.

Na fábrica de Kragujevac, trabalham 1500 pessoas, que ganham entre 350 e 400 euros por mês, ligeiramente acima do salário médio sérvio. No tempo da Zastava, trabalhavam aqui 25.000 pessoas, mas não havia robots e os salários eram mais baixos.

Desde o fim da guerra e da transição da era Milošević, a produtividade dos trabalhadores sérvios tem vindo a crescer. Segundo a FIAT, há ainda outras razões para investir na Sérvia. Contas-nos Diego Velini, gestor desta fábrica: “Em Itália, as relações industriais estão mais desenvolvidas, a Sérvia está ainda noutra fase, no que toca aos contratos e à defesa dos direitos dos trabalhadores. Isso não significa que seja fácil para uma empresa instalar-se aqui e que os trabalhadores não tenham direitos. É uma realidade diferente, um contexto diferente, por isso é possível fazer coisas diferentes.”

As eleições italianas parecem muito distantes para a família Ostajić, mas na verdade o futuro deles está muito mais ligado à escolha política dos italianos do que podem pensar. Também isso faz parte da internacionalização da economia.