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Latim: de língua morta a língua de "primeira mão"

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Latim: de língua morta a língua de "primeira mão"

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A decisão de Bento XVI de renunciar ao pontificado foi dada em primeira mão por uma jornalista da agência italiana Ansa, que compreendeu as palavras cruciais do Papa em Latim

Chirri Giovanna, que há 20 anos segue os assuntos do Vaticano, estava a acompanhar o discurso antes do Consistório quando, a um dado momento, se apercebeu de que o Papa fez uma pausa e disse que ia abandonar o cargo. A notícia foi enviada pela agência Ansa ao mundo às 11h46 locais (menos uma hora, em Lisboa), de segunda-feira, dia 11 de fevereiro.

O enviado especial da euronews ao Vaticano entrevistou a jornalista:

Alberto de Filipis, euronews: Pode dizer-nos o que aconteceu?

Chirri Giovana: “Quando eu ouvi ‘gravescente etatem’ comecei a preocupar-me.

A. F.: Tinha a impressão de ser a única a compreendê-lo?

Cherri: “Honestamente eu estava sentada ao computador e comecei a tremer. Tinha compreendido que o Papa pedia a demissão, disse-o em latim, e a minha cabeça estava um pouco confusa, Procurei por respostas mas, naturalmente, não havia ninguém. No entanto, o Cardeal Sodano disse, em italiano: “Santidade, isso cai-nos como um raio do céu”

Euronews: “Percebeu a importância histórica do anúncio?

A. F.: “Sim. E enviei um ‘twett’ a dizer: ‘B16 – que é a abreviatura que uso para Bento XVI – renuncia. Deixa o papado a 28 de fevereiro’. Foram menos de 140 carateres. É claro que percebi a dimensão histórica do momento”.