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PME's italianas em crise agravada pelos sismos

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PME's italianas em crise agravada pelos sismos

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As PME’s são um pilar da economia italiana mas estão em crise.
O governo que vai sair das eleições no fim do mês de fevereiro tem de lançar este setor chave do país.
Para compreender como está a situação pós-terramoto, fazemos o ponto da situação na região mais afetada de Itália.
Em Especial Eleições 2013.

Em maio de 2012, uma série de sismos sacodiu o norte da Itália, principalmente Emilia-Romagna, na área mais industrializada do país.

Além das vítimas mortais, 27 mortos, o terramoto agravou a crise das pequenas e médias empresas, a espinha dorsal da economia nacional.

A província de Modena sofreu um verdadeiro “terramoto industrial” .

Com a mulher, Luciano Galavotti emprega oito torneiros mecânicos. Produz cilindros hidráulicos para importantes empresas italianas. O edifício principal foi destruido, mas continua a produzir num provisório:

“O terramoto dificultou o rendimento do fim do mês, quando apresentamos as faturas. Como a remuneração vai mal a liquidez das empresas sofre as consequências.”

A mecânica é uma das “jóias da coroa” da região: a produção deve-se a uma densa rede de pequenas e médias empresas, muito inovadoras.

Margaritha Russo ensina Economia Política na Universidade de Modena e Reggio Emilia. Tem um museu-laboratório para promover o conhecimento da realidade sócio-económica e tecnológica. Fala-nos desta especificidade:

“A característica única deste sistema de produção é a capacidade de responder a necessidades muito específicas, em qualquer indústria, de alta costura às máquinas de embalagem, do setor automóvel à construção de equipamento para o setor de saúde.” O fabricante que lidera o mercado nas maquinas de diálise e descartáveis, tem cerca de 300 funcionários.

Emilia-Romagna não é apenas a terra dos motores, cerâmica e agronegócio, mas também da biomédica.

Mirandola é o maior distrito da Europa, segundo do mundo, a seguir a Los Angeles e Minneapolis.
Foi criado nos anos 60 e é conhecido por “Vale do Plástico” tem mais de 100 empresas e um volume de negócios anual de mais de 800 milhões. O setor está a sofrer menos do que outros com a crise, mas, como explica o presidente da Belico, Antonio Leone, há dificuldades:

“O primeiro problema tem a ver com as condições de pagamento do sistema público. Chegámos a níveis intoleráveis. Por exemplo, recebemos dinheiro do governo espanhol, que está em piores condições financeiras do que o nosso, mas ainda não recebemos, exceto alguns, os grandes volumes de pagamentos do fornecimento ao setor público.

Os pequenos fornecedores ou os empreiteiros subcontratados têm grandes problemas para encontrar as linhas de crédito para reconstruir as áreas de produção do terramoto e para serem pagos, o que demora de 300 a 500 dias”.

Há regiões em pior situação, com os fornecimentos a serem pagos três anos depois.

A esprança é que seja aplicada corretamente a diretiva europeia sobre pagamentos em atraso de 2011.

Mas a realidade é que, em 2012, fecharam mil empresas por dia em Itália.

10 mil foram afetadas pelo sismo.

Vanni Ficcarelli sindicato CGIL:

“O apelo que fizemos às empresas foi para assumirem as responsabilidades e para continuarem a manter as atividades produtivas no território, mas, infelizmente, temos alguns sinais que indicam que muitos empresários não têm planos para reabrir e depois simam-se prejuizos atras de prejuizos.

As imagens de queijos empilhados e destruídos deram a volta ao mundo. O Parmigiano-Reggiano é o Rei dos Queijos e “Food Valley”, onde nasceu, também é zona de marca protegida do vinagre balsâmico e do presunto de Parma.

O terramoto destruiu as prateleiras de 600 mil queijos. Os prejuízos ultrapassaram os 100 milhões de euros.

“Eu estava a sair quando os queijos começara a cair das prateleiras por causa do sismo.

Uns 20 dias depois, a fábrica de queijo teve luz verde para reiniciar a produção e quando ouvi dizer que a empresa começou a trabalhar para isso já era um bom sinal. “

Naquele dia 29 de maio, FAUSTO Gobbini
foi, como sempre, trabalhar no armazém que recolhe 80 mil queijos.

Para retomar rapidamente, o diretor decidiu ir em frente com o seu próprio dinheiro.

A cooperativa Razionale Novese iniciou a compra do Parmigiano Reggiano disponível nos supermercados e on-line, para apoiar as fábricas de laticínios afetadas.

GERMANO TOSI

“ Estávamos preocupados em seguir em frente. O nosso produto estava destruido e pedimos ajuda imediatamente.

Os bancos ajudaram financeiramente, mas tiveram de enfrentar alguns problemas. O nosso desejo foi continuar contra tudo e contra todos e as pessoas mostraram todas uma grande solidariedade.”

O terramoto abalou a base de produção na região, prejudicou cerca de 10 mil empresas – com uma estimativa dos danos controversa – e enriqueceu o exército de desempregados.

A Câmara do Comércio prevê um difícil 2013, apesar de um milhão de euros em caixa proveniente de ações de solidariedade.

As contribuições chegaram de toda a Itália com o objetivo de recuperar economicamente a região.