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Refugiados no Líbano sem direitos nem apoio

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Refugiados no Líbano sem direitos nem apoio

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Sobreviver para além da guerra…uma missão complicada para os refugiados sírios no Líbano, neste caso, ciganos nómadas.

As condições de vida são, nas palavras de muitos deles, de indigência total.
Uma constatação feita pelos Médicos Sem Fronteiras no relatório publicado na passada quinta-feira, o segundo em oito meses.

Mais de 50 por cento dos refugiados sírios entrevistados pela organização humanitária estão hospedados em estruturas deficientes.
A maioria não está preparada para enfrentar o rigor do inverno e mais do 40 por cento não estão ainda nas listas do ACNUR, o que os deixa de fora da distribuição de vales de comida e outros direitos.

Os números que figuram no mapa indicam a totalidade de refugiados sírios registados nos países vizinhos: Líbano, Iraque, Jordânia e Turquia.

No Líbano são cerca de 220 mil, concentrados principalmente no vale da Bekaa e representam 6% da população do país.

Samia Gamal tem 15 filhos. Por causa da guerra fugiu da Síria, rumo ao Líbano. Aqui chegada, a família não recebe qualquer assistência:

“Alugamos esta tenda por 100 dólares ao mês. A tenda já aqui estava aqui quando chegamos. Reunimos o dinheiro e alugamo-la.”

Duas das filhas de Samia conseguem trabalhar de vez em quando, mas esse dinheiro não é suficiente para cobrir as necessidades diárias de toda a família.

“Não compramos muita comida, só pão e verduras. Não podemos comprar frango ou outro tipo de carne. Às vezes só comemos uma vez ao dia, com sorte duas, depende do que temos. Comemos principalmente arroz e sopa. Um monte de lenha custa 150 dólares, e precisamos de dois por mês.”

Ao contrário da Jordânia ou da Turquia, o Líbano não tem acampamentos para refugiados.

Os recém chegados vão para refúgios coletivos inadequados, como quintas, garagens, edifícios em mau estado e escolas abandonadas.

No plano médico, a situação é crítica: mais de metade dos refugiados interrogados pelos Médicos Sem Fronteiras não têm dinheiro para pagar um tratamento contra doenças crónicas.

Os custos com cuidados básicos, como os prénatais ou partos, são proibitivos.

Um sírio que não se registe como refugiado tem de pagar o 100 % das despesas para ser atendido. O problema é que o procedimento para se registar como refugiado pode demorar de dois a três meses. Até então, as famílias sírias têm de sobreviver sem ajudas.