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Bento XVI dividido entre a emoção e o protocolo

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Bento XVI dividido entre a emoção e o protocolo

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O futuro primeiro ex-papa dos últimos 600 anos surgiu ontem, pela primeira vez, em público, desde o anúncio da sua renúncia ao cargo, na segunda-feira.

Frente a milhares de pessoas, concentradas na basílica de São Pedro, Bento XVI celebrou a missa de quarta-feira de cinzas, a penúltima do seu pontificado, que termina no próximo dia 28 de fevereiro.

Uma cerimónia marcada por uma longa ovação do público e dos bispos presentes, que retiraram as mitras em sinal de respeito.

Um gesto longe do protocolo estrito defendido por Bento XVI, dividido entre a emoção e as regras do culto que sempre defendeu como teólogo.

Um conservadorismo que contrasta com a decisão insólita de renunciar ao cargo, por razões de saúde.

Uma decisão corajosa, segundo o ex-diretor dos serviços de imprensa do Vaticano, Joaquín Navarro-Valls:

“Trata-se de um espantoso gesto de coragem por parte de Bento XVI, a iniciativa de tomar esta decisão sozinho. E o que se vai passar agora? Estamos numa situação semelhante à da morte de um papa, denominada tecnicamente ‘período de sé vacante’, em que se dissolvem todas as responsabilidades da cúria romana”.

O conclave para eleger o próximo papa deverá iniciar-se no Vaticano entre dia 15 e 20 de março, quando se espera que o nome do novo sumo pontífice seja conhecido até ao início de abril.

Até lá, os cardeais terão de decidir igualmente sobre o título a atribuír ao “ex-papa” assim como se continuará a envergar as vestes brancas do papa, o vermelho dos cardeais ou o negro dos padres.

Bento XVI deverá celebrar uma última eucaristia, como papa, na praça de São Pedro no próximo dia 27 de fevereiro.