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Rússia pede repatriamento de criança adotada nos EUA

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Rússia pede repatriamento de criança adotada nos EUA

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Os deputados da Duma Estatal da Rússia pediram ao Congresso norte-americano para repatriar uma criança russa adotada por um casal norte-americano, depois da morte do irmão.

O casal tinha adotado os dois irmãos russos. Um deles morreu em circunstâncias ainda não esclarecidas, entre acusações de maus tratos.

O caso promete incendiar ainda mais a polémica entre os dois países, em torno das adoções internacionais. A morte do pequeno Max Satho levou a Duma a adotar uma moratória às adoções de crianças russas por parte de famílias americanas.

O embaixador dos Estados Unidos em Moscovo reagiu, dizendo que se trata de uma reação sensacionalista a uma tragédia humana.

Elena tem 11 anos e vive em Rockville, no Estado do Maryland. Hoje é uma criança feliz e saudável Mas a menina nascida na Rússia teve um início de vida no mínimo difícil.

Aos dois anos foi adotada por uma família norte-americana. Na altura vivia num orfanato de Moscovo e sofria de graves problemas de subnutrição.

“Baixei-me, olhei para ela, ela olhou para mim e foi amor à primeira vista. O meu coração aumentou de volume. Ela é minha filha. Só tive que percorrer meio mundo para a encontrar”, conta a mãe adotiva Celia Peacock.

Para os peritos não há dúvidas: a medida imposta por Moscovo, que proíbe as famílias norte-americanas de adotarem na Rússia, prejudica principalmente as crianças.

Chuck Johnson é o presidente do Concelho Nacional para a Adoção e explica os resultados de um estudo sobre as condições de vida nos orfanatos russos. “Um mês de vida numa instituição tem um grande impacto no desenvolvimento de uma criança, mesmo nas mais pequenas. Por isso as crianças precisam de uma família.”

Mark Eckman, da agência de adoção, Datz Foundation, afirma que “na Rússia para que uma criança possa ser adotada por estrangeiros tem que haver um problema de saúde. Tecnicamente, as crianças saudáveis não podem ser adotadas por estrangeiros. As famílias que o fizeram sabiam disso e adotaram, mesmo sabendo que haveria um diagnóstico negativo em relação à criança.”

Até ao dia 01 de janeiro, data de entrada em vigor da lei aprovada pelo parlamento de Moscovo, a Rússia surgia no terceiro lugar dos países preferidos pelos norte-americanos para adoção, logo a seguir à China e à Etiópia. Nos últimos 20 anos, 60 mil crianças russas foram adotadas por famílias dos Estados Unidos, com um custo médio superior a 20 mil euros por adoção.

“O que é frustrante para nós é quando os políticos se envolvem e se servem de uma tragédia como esta com fins políticos. E neste caso, não me parece que seja por causa das crianças, mas apenas para causar embaraço aos Estados Unidos”, defende Chuck Johnson.

A maioria das crianças adotadas na Rússia por americanos precisou de tratamento médico e psicológico nos Estados Unidos devido às condições em que viviam nos orfanatos do país de origem.

O corresponde da euronews em Washington, Stefan Grobe, explica que “a agitação na Rússia contra as adoções provenientes dos Estados Unidos surpreendeu os norte-americanos. Afinal, as adoções são caras e a Rússia aproveitou os benefícios financeiros decorrentes dos processos de adoção. A opinião aqui é a de que os principais prejudicados neste conflito são os órfãos russos que não vão encontrar um lar americano.”