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Centro-esquerda ganha em votos, mas Berlusconi pode liderar o Senado

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Centro-esquerda ganha em votos, mas Berlusconi pode liderar o Senado

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Os dados avançados pelo Ministério do Interior italiano, às 22h40 CET, indicavam que, quando96,8% dos votos para o Senado estavam contados, e a formação de centro-esquerda liderada por Pier Luigi Bersani estava à frente com 31,7%; a coligação de centro-direita de Silvio Berlusconi tinha 30,63%; o “Movimento Cinco Estrelas” de Beppe Grillo 23,78% e 9,1% para o primeiro-ministro cessante Mario Monti.

Ainda de acordo com o Ministério do Interior, a taxa de participação eleitoral foi de 75,19%, contra 80,04% em 2008, data das últimas eleições. A Itália tem 47 milhões de eleitores.

Para o Parlamento, e numa altura em que 90,6% dos votos estavam contados, a formação de Bersani detinha 29,75% dos votos; a formação de Berlusconi 28,98%; Beppe Grilo e o seu “Movimento Cinco Estrelas” 25,5% e Mario Monti 10,6%.

Verdadeira “vitória” no Senado

No entanto, o verdadeiro líder no Senado não será necessariamente o centro-esquerda, formação mais votada até agora. O peso das regiões é muito elevado no sistema eleitoral italianio. A maioria absoluta no Senado é de 158 lugares. Silvio Berlusconi estava à frente nas regiões da Lombardia, Sicília, Veneto e Campania, e só a Lombardia pode dar à formação do antigo primeiro-ministro 49 senadores.

Ou seja: os italianos votam para as duas câmaras do Parlamento: a Câmara dos Deputados e o Senado, na prática são dois sistemas eleitorais diferentes. Para a Câmara dos Deputados há 26 circunscrições com um sistema proporcional. À lista mais votada, a nível nacional, são garantidos 340 dos 630 lugares. No Senado (315 lugares elegíveis e quatro senadores vitalícios), a eleição faz-se consoante as regiões e os bónus são atribuídos a nível regional. Esta diferença pode fazer com que haja diferentes composições políticas nas duas câmaras.

Os diários de referência em Itália – Corriede de la Sera e La Repubblica – dão a Berlusconi entre 113 e 123 assentos no senado, entre 104 e 105 para Bersani, entre 57 e 63 para Grillo e entre 17 e 20 para Monti. Uma Itália aparentemente “ingovernável” terá saído das urnas.

Quem é quem nestas eleições

Estas eleições vão marcar o fim da era Monti. Mario Monti, ex-comissário europeu, foi nomeado pelo Senado em 2011 para liderar um governo de gestão, com a Itália no meio do turbilhão da crise do euro. Monti tem vindo a aplicar um programa de austeridade, nada populares junto do público em geral.

A demissão do governo de Monti precipitou estas eleições, marcadas por um regresso de Silvio Berlusconi à ribalta política italiana.

As sondagens apontam um regresso do centro-esquerda ao poder, liderado por Pier Luigi Bersani. Não se espera, no entanto, uma mudança radical face às políticas de austeridade de Monti: o PD (Partido Democrático) de Bersani prevê uma continuação do programa de Monti, embora com uma maior aposta no crescimento e na justiça social.

O atual primeiro-ministro concorre também às eleições, encabeçando uma lista independente centrista. Berlusconi concorre enfraquecido, à cabeça do partido Povo das Liberdades (PDL), agora desprovido do apoio da Aliança Nacional (AN) de Gianfranco Fini. O PDL conta, no entanto, com a Liga Norte (LN) de Roberto Maroni como preciosa aliada nas regiões do Norte.

A AN sofreu uma cisão. Enquanto alguns ex-membros se mantêm no PDL de Berlusconi, Fini encabeça um novo partido de centro, o FLI (Futuro e Liberdade para a Itália), que concorre coligado com a lista de Monti. A SEL (Esquerda Ecológica e Liberdade) de Nichi Vendola é outra aliada do atual chefe do Governo.

Os restantes movimentos incluem a Revolução Civil, coligação de esquerda encabeçada por Antonio Ingroia, que junta vários partidos esquerdistas, incluindo a Refundação Comunista. Outro nome a ter em conta é o do Movimento Cinco Estrelas do antigo comediante Beppe Grillo, marcadamente antipolítico.

Tal como em Portugal e outros países, o primeiro-ministro é nomeado pelo Presidente da República, por indicação do partido ou coligação com mais votos.

Bolsa de Milão “caiu para vermelho”

A Bolsa de Milão recuperou com o anúncio dos resultados à boca das urnas quando davam uma vitória ao centro-esquerda no senado e parlamento italianos. Mas a correção dos valores das sondagens que agora dão ao centro-direita de Berlusconi a liderança no Senado fez com que a Bolsa de Milão reduzisse o ganho registado horas antes, tendo mesmo passado par ao vermelho. No cerre da sessão, a bolsa tinha ganho 0,73%.

Durante a campanha eleitoral, Bersani mostrou-se disponível para criar um governo de coligação com Mario Monti, mantendo o primeiro-ministro cessante ao volante das políticas económicas, o que afasta o receio de uma quebra na continuidade e promete um respeito pelas obrigações do Estado italiano. Teme-se que com Berlusconi de instale a instabilidade política no país.