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Eleições colocam Itália em desgoverno

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Eleições colocam Itália em desgoverno

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“Ingovernável”, é a palavra que ensombra Itália, à saída de umas eleições labirínticas que colocaram a nu um sistema político sinuoso. Bersani ganhou, mas não ganhou. Os resultados regionais de Berlusconi ameaçam bloquear o Senado. O antigo humorista Beppe Grillo baralhou as contas. Monti não conseguiu fazer vingar a promessa de estabilidade que os mercados financeiros tanto desejavam.

Nas ruas de Roma, um cidadão italiano afirmava que “5% dos votos deslocaram-se do Partido Democrático para o partido de Beppe Grillo. A verdade é que as pessoas estão revoltadas.” Perante a pergunta “vai haver novas eleições?”, a resposta é: “não sei, a situação é tão caótica, que este é o pior resultado que se poderia imaginar.” Outra cidadã declarava desejar “que a lei eleitoral mude, para que seja possível voltar às urnas. Senão, que alguém demonstre alguma sensatez para alcançar um compromisso. O Partido Democrático, o Movimento Cinco Estrelas, que encontrem uma linha comum. Mas há muitas dúvidas.”

O puzzle político está em curso. Grillo, pelo menos, já tinha anunciado que recusa integrar qualquer aliança. O jornalista da euronews Enrico Bona sublinha que, “se, durante um ano, Mario Monti foi apoiado por uma maioria heterogénea, o próximo primeiro-ministro poderá ser obrigado a procurar uma maioria para cada projeto de lei, arriscando negociações permanentes e uma instabilidade sistémica.”