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Bento XVI de cardeal conservador a Papa moderno

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Bento XVI de cardeal conservador a Papa moderno

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Ratzinger, eleitos pelos pares em 2005, é um tradicionalista conservador que termina o Pontificado com modernismo e surpreende os fieis. É este o legado dos oito anos de pontificado de Bento XVI:

O antigo professor de Teologia e responsável máximo da Congregação para a Doutrina da Fé, fustiga o relativismo e a secularização da sociedade ao ponto de lhe ser atribuida a alcunha de “rotweiler de Deus”.

Primeiro Papa alemão dos últimos mil anos, Bento XVI nunca chegou a deixar de lado o papel de professor, o que lhe custou a primeira crise do Pontificado depois da leitura, em 2006, de uma citação de um imperador bizantino, que liga o Islão à violência, numa palestra na Universidade de Regensburg, na Alemanha. A leitura provocou dias de protestos, por vezes violentos, em países muçulmanos. O Pontífice teve de dizer que “lamentava profundamente” qualquer ofensa, e atribuindo o episódio a “um lamentável mal-entendido”.

No mês seguinte, o Papa encontrou-se com muçulmanos durante uma visita à Turquia, e assumiu uma atitude de oração muçulmana frente à Mesquita Azul de Istambul.
Em 2009, o Papa Bento XVI visitou o Muro das Lamentações, em Jerusalém, onde rezou durante alguns minutos e colocou um pedido escrito em papel, seguindo a tradição dos visitantes, nos espaços entre as antigas pedras.

Nessa peregrinação, o Sumo Pontífice manteve uma agenda de encontros com líderes palestinos e jeudeus, missas e visitas a locais históricos. Mas todos estes factos se complicaram sempre por interpretações pouco favoráveis.
E por ações que a sociedade em geral, não compreendeu bem, como no caso da anulação da excomunhão do negacionista Richard Williamson, um bispo que assegurou que os judeus eram os inimigos de Cristo e o Holocausto uma mentira.

Apesar de ter condenado na generalidade o uso de preservativos numa visita a África, onde grassa a SIDA, o Papa considera que o uso do preservativo é admissível para diminuir o risco de contágio é ‘um primeiro ato de responsabilidade’.

Em assuntos sociais Bento XVI representa o imobilismo. Mesmo assim, em 19 julho 2008, Bento XVI adotou uma atitude de defesa das vítimas de abuso sexual por parte do clero, ao emitir um pedido de desculpas histórico, durante uma visita à Austrália, durante a qual se encontrou com quatro vítimas. E pediu desculpas públicas pela vergonha do clero. Em 2010 também pediu perdão na Irlanda. Mas a Igreja nunca entregou os culpados à justiça dos homens…

Bento XVI perdoa e liberta o seu ex-modormo, mas expulsa-o do Vaticano, 12 meses depois de Paolo Gabriele revelar segredos papais e documentos, revelando uma série de alegados escândalos com fraudes no Vaticano, num escândalo que ficou conhecido como “Vatileaks”. Os documentos estão agora num cofre forte.