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Valerio Gigante: "as tendências geopolíticas, económicas e financeiras são as que têm um papel primordial no Conclave"

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Valerio Gigante: "as tendências geopolíticas, económicas e financeiras são as que têm um papel primordial no Conclave"

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Para lançar uma luz sobre a composição do Conclave que irá escolher o novo Papa, a euronews falou com Valerio Gigante. O jornalista da agência italiana Adista, especializada em assuntos religiosos, explica as divisões internas e os grupos de influência:

Valerio Gigante: “Acredito que existem muitas tendências distintas dentro do Conclave. A mais clássica e típica é a que está ligada à nacionalidade [dos Cardeais], mas há também, por exemplo, a separação entre conservadores e progressistas. As tendências geopolíticas, económicas e financeiras são as que têm um papel primordial e, de resto, já tiveram um papel crucial na demissão de Bento XVI”.

euronews: “Este Papa mudou, ou tentou mudar, as nomeações [de Cardeais] ou o rumo que a Igreja tinha começado a tomar, desde o início do Pontificado?”

VG: “Penso que este Pontífice subestimou fortemente a possibilidade de governar a Igreja. Viu-se confrontado com uma série de lutas internas entre Cardeais e correntes que representam diferentes interesses económicos e financeiros, as quais não conseguiu ultrapassar. Durante o último Consistório, em Novembro, tentou, com a inserção de seis cardeais de países de não-europeus, equilibrar a situação, dando um carácter mais alargado e universal ao Conclave. Mas, apesar disso, penso que o Conclave está fortemente comprometido pelo facto de que, nos últimos anos, os Cardeais têm sido escolhidos pela pertença a uma das várias facções que lutam pelo poder dentro da Igreja”.