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Venezuela e Cuba: que futuro?

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Venezuela e Cuba: que futuro?

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A morte do presidente venezuelano deixa Cuba sem o melhor aliado político e económico.
Fidel Castro foi o principal assessor de Hugo Chavez na arte da sobrevivência política. Os dois países assinaram mais de 300 acordos de cooperação comercial e económica, muitos deles favoráveis a Cuba. Mas o interesse de Castro pela Venezuela, e seu petróleo, começou 40 anos antes de Chávez. Poucas semanas depois de derrubar o ditador cubano Fulgêncio Batista, no Ano Novo de 1959, Castro começou por visitar Caracas.

A Venezuela fornece 100 mil barris de petróleo por dia a Cuba, a preços preferenciais, que, em troca, envia médicos, professores e conselheiros políticos e ainda recebe por isso mais seis mil milhões de dólares.

Óscar Espinosa Chepe, economista dissidente.

“Cuba tem uma dependência extraordinária da Venezuela, que se converteu na União Soviética dos nossos dias. Há um cordão umbilical que fornece o oxigénio à economia cubana: o dinheiro da Venezuela. Se isto acaba, será pior do que nos piores anos em que perdemos a assistência soviética, porque a economia está mais destruida do que no fim da ajuda soviética”.

O total da ajuda e dos investimentos venezuelanos alcança hoje cerca de 22% da produção económica anual de Cuba.
Não era por acaso que Castro era o mentor, conselheiro médico e figura paterna de Chavez.
Se a relação entre Havana e Caracas terminar ou enfraquecer, muitos cubanos temem que a ilha possa sofrer uma convulsão social em consequência da depressão económica.

“É uma situação muito perigosa. O bolivar sofreu uma desvalorização de 46,5%, o que também vai trazer mais instabilidade à Venezuela”.

Cuba precisa desesperadamente de um novo parceiro económico. Tem uma dívida de 21 mil milhões de dólares mas não tem como pagar. A solução, irónica e não tão pouco provável como pode parecer num primeiro momento, será uma aliança de interesse com os Estados Unidos.
Os cubanos residentes nos Estados Unidos, quase dois milhões, já enviam 2 mil milhões, anualmente, para as famílias e epara o país. E mesmo com o embargo americano a Cuba, os estados Unidos são o segundo exportador de alimentos para Cuba.

“Seria mesmo irórico que o maior inimigo de 54 anos se torne em novo parceiro económico de Cuba.”